quinta-feira, 30 de junho de 2011

O milagre econômico de Hugo Chavez.

Por: Andres Oppenheimer:
Os críticos o presidente venezuelano, Hugo Chávez, aproveitaram a sua ausência de quase três semanas para tratamento de uma doença não revelada em Cuba para culpá-lo por todos os tipos de delitos, mas é hora de dar-lhe crédito por ter realizado um verdadeiro milagre econômico em seu país.
Eu não estou brincando. O que Chávez fez na Venezuela nos últimos 12 anos é nada menos que um milagre econômico: apesar de beneficiado pelo maior boom petroleiro da história da Venezuela, ele sobre certos aspectos conseguiu tornar seu país em ruínas.
A Venezuela tem uma das maiores taxas de inflação na América Latina, uma das mais baixas taxas de crescimento econômico na região, apagões diários, a escassez de alimentos, e as taxas de criminalidade sem precedentes. O que é ainda mais surpreendente, por ser um dos maiores países produtores de petróleo do mundo, é ver o ministro de Energia Elétrica, Ali Rodriguez, anunciando em 15 de junho último que a Venezuela começou a importar energia elétrica da Colômbia para restaurar o fornecimento de eletricidade em várias partes do país.
É um feito incrível, quando se considera que os preços do petróleo dispararam de US $ 9 o barril, quando Chávez assumiu o cargo em 1999, para US $ 100 o barril de hoje em dia. Enquanto a Venezuela tem aproveitado o boom petrolífero por dois anos seguidos, isto foi de longe a maior e mais longa bonança oriunda do petróleo comparado com o período de 1974 a 1979.
De acordo com os números do Banco Central venezuelano, a renda do petróleo da Venezuela chegou a 700 bilhões de dólares americanos desde que Chávez assumiu o cargo. "A renda do petróleo da Venezuela nos últimos 12 anos ultrapassa o que o país recebeu nos últimos 25 anos", diz José Guerra, chefe do Departamento de Economia da Universidade Central de Venezuela, um centro de ensino estatal.
E ainda assim, eis o que Hugo Chávez tem para mostrar:
• Enquanto as economias da América Latina cresceram a uma média de quase 6 por cento no ano passado, a economia da Venezuela caiu de 1,6 por cento, depois de cair por outro de 3,3 por cento no ano anterior, de acordo com a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina (CEPAL). O governo venezuelano está prevendo um crescimento de 4 por cento este ano, o que – se acontecer – ainda seria uma das mais baixas taxas de crescimento da região.
• Enquanto a maioria dos países latino-americanos tem taxas de um dígito de inflação, a taxa de inflação da Venezuela subiu de 12 por cento uma década atrás, para 27 por cento no ano passado, segundo a CEPAL. A taxa oficial de inflação hoje é de 25 por cento ao ano.
• Enquanto a maioria dos países latino-americanos está se beneficiando com recordes de investimentos estrangeiros, a Venezuela está sofrendo uma fuga de capitais sem precedentes. A dívida externa do país aumentou de US $ 35 bilhões em 2001 para US $ 58 bilhões em 2010, como mostram os números da CEPAL.
• Os apagões elétricos que estão afetando a maior parte do país, com exceção da capital, são os primeiros na memória recente. O governo chegou a culpar a seca por eles, mas os economistas dizem que a falta de eletricidade é devidas a uma ausência quase total de investimentos em instalações elétricas nos últimos anos, até mesmo de manutenção da capacidade instalada, que se deteriora rapidamente. Se o crescimento do país fosse sequer positivo a crise elétrica seria muito mais vezes pior.
• A recente escassez de alimentos inclui óleo de cozinha, café, carne e açúcar, além de leite e derivados e ovos. A Venezuela, que já foi certa vez o quinto maior exportador de café do mundo, está importando café da Nicarágua. As fazendas venezuelanas pararam e sucumbiram ao ‘socialismo del siglo XXI’...  
• Os níveis de educação da Venezuela, em ciência e tecnologia, estão despencando. O número de patentes de novas invenções registradas na Venezuela – uma medida chave da inovação e da eficiência universitária – caiu de cerca de 800 patentes por ano em 1988 para menos de 100 patentes uma década depois, segundo dados oficiais. O ensino de base abandonou o objetivo de educar e instruir pelo objetivo da lavagem cerebral marxista.
O governo de Chávez cita os números da CEPAL como mostrando que a pobreza de 45 por cento da população foi reduzida para 28 por cento nos últimos 10 anos. Mas, no mesmo período, a Argentina reduziu sua taxa de pobreza de 45 por cento para 11 por cento de sua população, Chile de 20 por cento a 11 por cento, o Brasil de 38 por cento a 25 por cento (um resultado desalentador), e no Peru e na Colômbia por taxas semelhantes. A maioria destes países reduziu a pobreza, alguns apenas com base no distributivismo estatal para compra de votos, ao passo que a atração de investimentos e criação de indústrias – que vão gerar trabalho e riqueza no longo prazo - está em queda livre na Venezuela.
Minha opinião: a Venezuela é um dos países latino-americanos que foram beneficiados pela ventania do boom econômico nos últimos anos, mas desperdiçou esses ganhos todos com subsídios em dinheiro e grandiosos projetos militares e de propaganda internacional, sem falar do que perde pelos ralos da corrupção. Uma vez que o petróleo retorne aos seus preços anteriores de 40 ou 50 dólares o barril, a Venezuela vai se tornar um país falido difícil de ser recuperado pelas novas gerações.
Em boa parte está a gerência econômica caótica de Chávez, e por outra parte a implantação de um modelo marxista-leninista narcisista direcionado a destruir o setor privado e criar um país de zumbis dependentes do estado como escravo de uma neo-burguesia estatal do seu politburo. Há ainda outra parte, menor, que é francamente inexplicável. Quando Chávez retornar de sua prolongada ausência – caso esteja caminhando com seus próprios pés – ele deveria ser recebido com uma saudação por ter sido o protagonista de um verdadeiro milagre econômico – só que às avessas!
*Tradução de Francisco Vianna

Tucanos querem investigar marqueteiro de Dilma.

Deputados do PSDB vão pedir ao Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) a abertura de investigação sobre "suposto tráfico de influência" de João Santana, marqueteiro da campanha da presidente Dilma Rousseff. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que o prefeito de Campinas, Dr. Hélio (PDT), pediu ajuda de Santana para que a presidente se encontrasse com representantes da empresa chinesa Huawei. Dilma se reuniu em Pequim com Ren Zhengfei, executivo principal da empresa.
A representação dos tucanos será protocolada ainda nesta semana e será assinada pelo líder Duarte Nogueira (SP) e pelos deputados Vanderlei Macris (SP) e Fernando Francischini (PR). "É preciso que seja apurado se o publicitário se utilizou da proximidade com a presidente para favorecer uma empresa. Isso contraria o interesse público. O que foi pedido a ele acabou acontecendo. Isso é um indício a ser investigado", disse Nogueira. ( Agência estado )

Jader Barbalho recorre mais uma vez ao STF por seu mandato no Senado.

Foto: Folhapress
Os advogados de Jader Barbalho entraram com um novo recurso no Supremo Tribunal Federal para que o político, que foi o segundo mais votado para uma vaga no Senado nas eleições de 2010, assuma o cargo. Barbalho teve seu registro negado e os votos anulados pela aplicação da Lei da Ficha Limpa. O político já havia acionado o STF quando a corte decidiu que a aplicação da Lei não valeria para o último pleito, mas sua solicitação foi negada pelo ministro Joaquim Barbosa. Agora, a análise do recurso está a cargo do ministro Ricardo Lewandowski, pois Barbosa está de licença médica. Segundo os advogados de Jader Barbalho, a justiça vem causando danos ao político, pois seu mandato foi consideravelmente encurtado. ( CH )

PF desbarata quadrilha que sonegou R$ 4 bilhões.

Foto: Epitácio Pessoa - Agência Estado
Por William Cardoso:
A Polícia Federal desbaratou uma quadrilha formada por empresários e despachantes aduaneiros que sonegaram cerca de R$ 4 bilhões em impostos durante os últimos quatro anos na importação de produtos têxteis, roupas e aviamentos vindos, principalmente, da China.
Até esta terça, 15 integrantes foram presos preventivamente e outros dois permaneciam foragidos. Foram indiciadas ao todo 73 pessoas.
As mercadorias chegavam ao Brasil pelos portos de Santos, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde eram subfaturadas para ser cobrado menos imposto. Em seguida, eram repassadas a distribuidores, que as revendiam a varejistas com o valor real declarado em nota fiscal. Os distribuidores funcionavam como laranjas e não recolhiam o imposto.
“A diferença de valor entre o produto pago e o que era declarado ou entre o pago e o que não era recolhido em tributo era mandada para o exterior por meio de dólar câmbio, evasão de divisas ou em cash. Essa era a base da operação”, diz o delegado da PF José Edilson de Souza Freitas, responsável pela investigação, que durou cerca de um ano e meio.
A PF identificou 40 empresas laranjas em sete Estados e também no Distrito Federal. Elas nem chegavam a receber os produtos e apenas emitiam as notas. Os produtos eram vendidos ao consumidor final em zonas de comércio popular, como Brás, Pari e a região da Rua 25 de Março.
Durante a ação, foram apreendidos R$ 500 milhões em dinheiro, outros R$ 1,5 milhão em cheques, imóveis, carros, barcos, motocicletas e até armamentos, como carabinas calibre 12. Em um galpão no Brás, ficarão sob análise da PF e da Receita Federal (parceira na operação) mercadorias suficientes para lotar cem carretas. Participaram da ação 338 policiais federais e 122 auditores fiscais da Receita Federal.
O superintendente adjunto da Receita em São Paulo, Marcos Fernandes Prado de Siqueira, diz que é difícil flagrar a irregularidade diretamente nos portos. “Em lugar nenhum do mundo se consegue analisar todas as importações.”
A operação deflagrada ontem pela PF foi batizada de Pomar por envolver um grande número de “laranjas” – pessoas que emprestam o nome com ou sem o consentimento para que outro pratique ilegalidades.

Justiça apreende documentos do Carrefour a pedido do Casino.

O varejista Casino conseguiu que a justiça francesa apreendesse documentos que revelam conversas entre seu concorrente Carrefour e o empresário Abilio Diniz sobre uma possível fusão no Brasil.
O material
está em poder da corte de Nanterre, na França.
Esse é o último episódio de uma disputa entre a rede Casino, que detém 37% do capital do Grupo Pão de Açúcar, e seu sócio local, o empresário Abilio Diniz.
A apreensão de documentos é um procedimento de
preservação de provas.
O material pode ser requisitado,
por exemplo, pela Câmara de Comércio Internacional.No início do junho, o Casino entrou com um pedido de arbitragem perante a câmara para que Abilio passasse a"cumprir todas suas obrigações conforme acordo de acionistas".Segundo informou a agência Reuters, o Casino protocolou, no início do mês, um pedido para que a justiça buscasse, nos escritórios do Carrefour, documentos que demonstrassem "a existência e o conteúdo de negociações"entre o rival francês e Abilio.
De um total de 150 documentos avaliados, 22 demonstram que havia uma discussão em curso
entre Abilio Diniz, ou sua assessoria financeira Estáter, e o Carrefour. Não se sabe quais foram os termos da conversa.
O material apreendido, conforme o Estado apurou, é composto basicamente por e-mails.O Casino ficou
sabendo pela imprensa, há cerca de um mês, sobre as conversas entre o empresário brasileiro e o Carrefour para articular uma aliança no Brasil.
Diante da notícia, o presidente e acionista do Casino, Jean-Charles Naouri,
enviou um e-mail para Abilio.
A mensagem de resposta confirmava negociações preliminares e dizia que não havia nada mais a
ser informado no momento. Naouri também mandou um e-mail a Lars Olofsson, presidentemundial do Carrefour, mas não recebeu resposta.
Hostil.

O clima hostil
fez com que o Casino entrasse com o pedido de arbitragem.
Na prática, tratava-se de era uma advertência pública ao sócio.
Na semana passada,
a rede francesa enviou mais um sinal:aumentou em 3.3% sua participação no Grupo Pão de Açúcar com um investimento de US$ 363 milhões.
Por trás do conflito está o acordo de acionistas firmando entre
Casino e Abilio em 2006.
Há um ano,
o empresário brasileiro tenta, sem sucesso, revertê-lo. Pelos termos do documento, em junho de 2012, o Casino pode exercer uma opção de compra e passar a deter o controle do grupo.
Hoje,
o controle é compartilhado entre Abilio e o Casino.Para pessoas próximas, o motivo do descontentamento de Abilio reside no fato de que ele não quer perder o controle de uma empresa que mudou de patamar.
Nos últimos dois anos, o Pão de Açúcar
comprou a cadeia de eletroeletrônicos Ponto Frio e fechou uma fusão com a Casas Bahia tornando-se, assim, o maior varejista do País.
O Carrefour, por sua vez, veio à público, nesta semana, para dizer que vai manter o controle
de suas operações no Brasil.O presidente mundial, Lars Olofsson, classificou as notícias sobre a negociação da subsidiária brasileira como "rumores".Ele não descartou, porém, o que classificou como "oportunidades de crescimento".Essa não é a primeira vez que notícias sobre a negociação da operação brasileira do Carrefour tomam o mercado. No fim de 2009, sob a pressão de investidores, a rede chegou a conversar com o Walmart. Mas a proposta feita pela americana foi considerada muito baixa na época. Foi então que a rede francesa deu início a um processo de reestruturação, ainda em andamento.
* Por Melina Costa, de O Estado de S. Paulo

Trem chinês para o Tibet. Ferrovia de 1.956 km passando pelo Himalaia.

Um espetáculo!!!  Que obra fantástica...
O trecho da linha chinesa custou  4,1 bilhões de USD e a construção foi finalizada 1 ano antes do previsto. Atravessou as  altas montanhas do Himalaia que se situam a 5.000 metros de altitude. Os trabalhadores na construção tiveram que usar máscaras de oxigênio e câmaras pressurizadas para poderem trabalhar.
Sempre que possível a ferrovia passava em pistas elevadas para permitir a passagem dos animais em migração natural, dado que foi concebida sempre minimizando o impacto ambiental. Dos 1.956 km, 500 km atravessaram solos que ficam congelados no inverno e viram lama no verão.
Imagine-se o processo de  contração e expansão do material que ocorre em tal tipo de terreno e a tecnologia empregada e que era desconhecida, até então. E sobre esse tipo especial de solo foi construida uma ponte de 11,7 km. Pela altitude os carros de passageiros têm que ser pressurizados como são os aviões.
Estimando 10 composições para trafegar nesses 1.956 km, seriam mais 450 milhões de dólares. Vamos exagerar, digamos que os trens custassem 1 bilhão de dólares. Aí o custo dessa ferrovia chinesa teria ficado em... 5 bilhões de dólares americanos!.
Agora, façamos a comparação com o projeto do trem-bala Rio-SP, de 400 km de extensão, o que significa 1/5 da distância pecorrida pelo trem chinês que atravessa montanhas de até 5.000m de altura. O trem-bala brasileiro atravessará a Serra das Araras, provavelmente 1/5 da altitude do Himalaia.
Em 22 de abril de 2011, recalcularam o custo do trem-bala brasileiro, trecho Rio/SP,  55 bilhões de reais. Se considerarmos a taxa de câmbio a R$1,70, teriamos o custo em 32 bilhões de dólares americanos!.  Isso é aceitável?

TSE divulga calendário de eleições.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, na noite desta terça-feira, 28, o calendário eleitoral referente às eleições municipais de 2012, que traz as principais datas a serem observadas por eleitores, partidos políticos, candidatos e pela própria Justiça Eleitoral.
Em 2012, os eleitores vão eleger no dia 7 de outubro, em 1º turno, e no dia 28 de outubro, nos municípios onde houver a necessidade de 2º turno, prefeitos, vice-prefeitos e vereadores em mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
Os partidos que quiserem participar das eleições devem obter o registro no TSE até o dia 7 de outubro de 2011. O prazo é o mesmo para os candidatos que pretendem concorrer estarem com sua filiação partidária regularizada, e terem como domicílio eleitoral a circunscrição na qual pretendem disputar mandato eletivo.
Em 9 de maio termina o prazo para que o eleitor possa requerer inscrição eleitoral ou transferência de domicílio. Neste mesmo dia termina o prazo para que o eleitor com deficiência ou com mobilidade reduzida peça transferência para uma seção eleitoral especial.
Os registros dos candidatos podem ser feitos, pelos partidos ou coligações, até o dia 5 de julho. No dia seguinte, passa a ser permitida a realização de propaganda eleitoral, como comícios e propaganda na internet (desde que não paga), entre outras formas.
A propaganda eleitoral gratuita na rádio e na TV começa no dia 21 de agosto, uma terça-feira, e se encerra no dia 4 de outubro, três dias antes da realização do pleito. Na mesma data se encerra o prazo para propaganda mediante reuniões públicas ou comícios, e também para realização de debates nas rádios e nas Tvs.
No dia 5, se encerra o prazo para divulgação de propaganda paga em jornal impresso. E no dia 6, acaba o prazo para propaganda mediante alto-falantes ou amplificadores de som, bem como para distribuição de material gráfico e promoção de carreatas.

Nova regra de fidelidade: PSD não poderá ter políticos com mandatos.

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Foto: Agência senado

O PLS 122/11 aprovado em caráter terminativo na Comissão de Constituição e Justiça, há pouco, no Senado, praticamente elimina todas as pretensões iniciais de o novato PSD ser oficializado com políticos com mandato. O projeto inclui na Lei dos Partidos Políticos (Lei 9.096/1995) regra sobre fidelidade partidária e acaba com o troca-troca entre legendas. O projeto incorpora na legislação entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) no sentido de que a desfiliação da legenda, sem justa causa, deve ser punida com a perda do mandato. Um destaque apresentado pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO), aprovado por sete votos a seis, retirou a possibilidade de o político manter o mandato em caso de filiação em partido novo. A oposição ao prefeito paulistano Gilberto Kassab comemora a decisão, por ser caráter terminativo. Kassab previa fundar oficialmente o PSD com no mínimo 50 deputados e dois senadores. O Projeto vai a votação agora na CCJ da Câmara, também em caráter terminativo, onde a oposição acredita ter os votos necessários para manter a decisão.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Bolsonaro é absolvido na Câmara.

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi absolvido pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, durante sessão nesta quarta-feira (29), por quebra de decoro parlamentar. Foram dez votos contrários ao relator --que tinha aceitado a denúncia--, sete a favor e cinco ausências. A decisão é terminativa e acaba no conselho, a não ser  que haja recurso por parte do PSOL, legenda que entrou com a representação contra o parlamentar.
Na ação do PSOL, há três denúncias contra Bolsonaro. A primeira foi por ele ter discutido e ofendido a senadora Marinor Brito (PSOL-PA) em 12 de maio, durante a Comissão de Direitos Humanos do Senado, que debatia o projeto de lei que criminaliza a homofobia.
A segunda se baseia na divulgação, feita no mesmo dia, de um panfleto contra o kit anti-homofobia, em elaboração pelo Ministério da Educação, com “afirmações mentirosas, difamatórias e injuriantes”, segundo o PSOL, sobre a causa LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais).
O deputado federal Sérgio Brito (PSC-BA), que é relator do caso, considerou pertinente a instauração do processo contra o parlamentar por ele ter violado o código de ética da Casa. “Há programas de televisão e reportagens que relacionam a ele os fatos narrados e, ao menos em tese, o abuso da prerrogativa da imunidade parlamentar constitui ato incompatível com o decoro parlamentar."
Outro lado
Para Bolsonaro, a argumentação do parlamentar é a de que as falas condenadas pelo PSOL são fruto da liberdade de expressão dele. O parlamentar comemorou a decisão e afirmou ao deixar a sessão: "Estou livre, leve e solto". O PSOL ainda estuda se entrará ou não com recurso.
Quanto à manifestação contra a cantora Preta Gil, ele reitera que não é racista, apenas zela pelo que chamou de “moralidade”. “Quem defende o ‘kit gay’ não tem moral para acusar os outros”, afirmou.
*http://noticias.uol.com.br/politica/2011/06/29/por-maioria-bolsonaro-e-liberado-de-processo-por-quebra-de-decoro-parlamentar.jhtm

Paraiso da patifaria.

Parlamento mais bem remunerado do mundo, “capitalismo” da corrupção e “Justiça” protetora da burguesia mais sórdida de nossa história.
As manchetes das patifarias, consentidas por uma sociedade que se mostra calhorda nos centros de decisão público-privada, viraram lugar comum para que os otários e imbecis dos contribuintes se deleitem com sua própria covardia ao lerem os  conteúdos das notícias âncora de jornais e revistas.
Enquanto a burguesia público-privada se empanturra de dinheiro ganho na formalidade de suas atividades na forma lícita-fascista e, principalmente ilícita, prevaricadora e sem-vergonha, o Parlamento do Paraíso dos Patifes decide reduzir as pensões por morte, aumentar o tempo de contribuição das mulheres e manter o sigilo das obras para as grandes competições esportivas que se aproximam.
É um conjunto de decisões para não fazer inveja a nenhuma máfia passada ou presente no mundo das relações público-privadas.
A nojenta repetição de afirmações de austeridade fiscal se resume em extorsão tributária, transformação do Estado em um incontrolável cabide de emprego do petismo, enriquecimento ilícito da burguesia pública e de seus cúmplices privados, e o suborno de grandes empresários de todos os setores.
Quem está tendo a irresponsabilidade de promover tanta degeneração moral, nada mais é do que Parlamento mais bem remunerado do mundo como já publicamente provado pela TV Globo em uma reportagem recente.
No Brasil está sendo solidificado o capitalismo da corrupção feito com relações espúrias entre grandes empresas, de todos os setores, e o poder público.
Em nenhum país do mundo civilizado uma sociedade aceitaria sigilo dos gastos em obras públicas apenas controladas por organismos de controle interno de um poder público que diariamente nos dá demonstrações de ser “administrado” por covis de bandidos.
A sociedade delegou para o ladrão tomar conta do seu dinheiro sem precisar saber como o mesmo está sendo gasto.
Não existem mais limites para a humilhação da parcela da sociedade que representa os 60% dos que não votaram no PT, no silêncio das urnas criminosas com níveis de abstenção e de votos nulos votos irracional ou inexplicável, melhor dizendo, desonesto diante do covarde silêncio da Justiça Eleitoral, que nunca se preocupou em investigar, com uma auditoria independente, e com seriedade, as denúncias de manipulação das urnas eletrônicas.
As agressões explícitas do comunismo através da mentira do socialismo já não precisam ser formalizadas com regimes de força, pois o poder público já tem o domínio da mais sórdida burguesia público-privada de nossa história, gente calhorda que dispensa formalidades ideológicas para meter os pés e as mãos no dinheiro dos contribuintes de forma ilícita.
A declaração de que foi inocentado, seja pelos tribunais, seja pelos “conselhos de justiça”, cúmplices explícitos da degeneração moral do poder público é, nada mais nada menos, do que nos chamar a todos, de forma redundante, de otários e imbecis. Assim o fez o senador Mercadante nas suas recentes declarações no Parlamento do Paraíso dos Patifes.
A blindagem explícita de bandidos de todos os matizes feita pelos órgãos de uma Justiça que, durante a Fraude da Abertura Democrática, deixou de merecer esse nome, já se tornou o mais eficiente dos advogados de defesa dos canalhas da corrupção e da prevaricação.
Contudo temos que reconhecer o mérito de sermos sempre tratados como idiotas ou imbecis: é o resultado direto de nossa omissão e de nossa covardia em não reagir na medida certa à transformação do nosso país em um Paraíso de Patifes desgovernado por Covis de Bandidos controlados por Sindicatos de Ladrões.
*Geraldo Almendra, por e-mail, via resistência democrática.

FHC e o carcereiro.

Por Roberto Pompeu de Toledo:
O pai de Fernando Henrique Cardoso dizia que jamais se deve deixar de conversar com o carcereiro. O  filho jamais esqueceu a lição, o pai, general Leônidas Fernandes Cardoso (1889-1965), trilhou a carreira militar nos anos tumultuados dos golpes e "revoluções " tenentistas. Foi preso várias vezes. Dizia que, mesmo preso, era preciso falar, estabelecer contato com o adversário, não deixá-lo longe. Isso possibilitaria passar mensagens para fora da prisão, mas também conhecer melhor o ponto de vista do opositor, a fim de melhor enfrentá-lo ou, ao inverso, de encontrar pontos de convergência. Fernando Henrique Cardoso seguiu o conselho do pai, só não falou, ao longo da vida e, especialmente, ao longo da carreira política, com quem se fechou a qualquer aproximação.
A nenhuma obra o PT e o presidente Lula se lançaram com mais empenho do que a desconstrução de FHC. Fabricaram o discurso da "herança maldita". E tanto martelaram nele que isso acabou por contaminar os próprios aliados do ex-presidente. Seu partido, nas últimas campanhas eleitorais, procurou esconder, quando não renegar-lhe o legado. Outros teriam se abatido  ou reagido com amargura. FHC, em quem a famosa vaidade é temperada pela sabedoria e pelo humor, tocou em frente. Continuou aberto a conversa com os carcereiros. Eis que, ao chegar aos 80 anos, as atenções se voltam para ele e descobre-se que escapou ileso das falsificações históricas e do oportunismo eleitoreiro. FHC ressurge na devida dimensão do presidente que embicou o país num rumo capaz de eleva-lo a novo patamar.
A chegada aos 80 anos teve comemorações além da praxe, tantos foram os eventos e matérias de imprensa, além de duas surpresas. Uma foi a nobre manifestação da presidente Dilma Rousseff, que não só saudou "o acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e  o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica", como encenou a mensagem com um "Querido presidente, meus parabéns e um afetuoso abraço". Outra foi os 80 anos coincidirem com o lançamento do documentário "Quebrando o Tabu", do cineasta Fernando Grostein Andrade, em que FHC aparece como paladino da procura de alternativas à fracassada política de enfrentamento no combate às drogas. Ficou claro,  para quem ainda não havia se dado conta, que não esta aposentado. Sobram-lhe fô1ego e bravura para encarar uma briga difícil, suscetível a mal-entendidos, e de alcance internacional.
FHC não se faria merecedor do respeito e das honrarias que o cercam na efemeridade dos 80 anos não fosse um fator fundamental – enfim, surge alguém, na história do Brasil, que honra a instituição da Ex-Presidência. Instituição da Ex-Presidência?, estranharão alguns. La isso existe? Na verdade, não tem esse nome e poucos conhecem suas regras, mas existe, sim, e é  segredo de alguns países, os Estados Unidos em primeiro lugar. O ex-presidente que honra a Ex-Presidência é o estadista que se alça acima da luta eleitoral, e se põe disponível para os momentos difíceis da nação e as causas apartidárias. Exemplos americanos são Jimmy Carter, devotado à causa dos direitos humanos ao redor do mundo, e Bill Climon, voltado para a defesa do meio ambiente e para a mesma busca de alternativas à atual política antidrogas que motiva FHC.
Condição primeira para o bom exercício da Ex- Presidência é o abandono da arena eleitoral. Nos EUA, isto é mandatório: a Constituição limita  o exercício da Presidência a dois mandatos, e  o costume desaconselha o ex-presidente a rebaixar-se em busca de mandatos de deputado, prefeito ou governador. No Brasil, até onde a vista alcança,  o caso de FHC é único. Getúlio Vargas, deposto em 1945, virou candidato (vitorioso) cinco anos depois. JK saiu da Presidência, em 1960, já candidato à eleição presidencial seguinte, em 1965, frustrada pelo golpe militar. Jânio renunciou em 1961 para virar candidato a governador (derrotado) duas vezes (1962 e 1982) e a prefeito (vitorioso) em 1985. Dos presidentes da última redemocratização, três são senadores e o quarto e potencial candidato a sucessão daquela que lhe sucedeu. A renúncia ao jogo eleitoral é o primeiro requisito ao bom exercício da Ex-Presidência, mas não o único. Outros são identificar as boas causas, ter capacidade intelectual de analisá-las e entendê-las, generosidade para abraçá-las, disponibilidade para defendê-las e, por último, mas não menos importante, jamais deixar de conversar com o carcereiro. FHC é, por enquanto, o único ex-presidente a preenchê-los.

Confissões de um aloprado.

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" Não há fato novo", disse Mercadante, em entrevista. Realmente, não há fato novo. Apenas a confirmação, agora em fita gravada, que o ex-senador petista e atual ministro da Ciência  e Tecnologia é o chefe dos aloprados do PT que, em 2006, montou um dossiê contra a candidatura de José Serra (PSDB), ao governo do estado de São Paulo. Atenção:  a acusação é feita por um petista, não por um tucano.(Texto do Blog Coturno noturno)

Vergonha: Dilma manda base aprovar sigilo em todas as licitações.

A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem a ministros, durante a reunião da coordenação política do Planalto, que quer que o Regime Diferenciado de Contratações (RDC), destinado a licitar mais rapidamente serviços e obras para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016, substitua a Lei das Licitações (Lei 8.666), em vigor desde 1993.
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), foi orientado pela presidente a discutir no Congresso a forma mais viável de alterar a Lei 8.666. Uma possibilidade é o governo incluir as mudanças em projeto já aprovado na Câmara e que aguarda votação no Senado desde junho de 2009, cujo relator é Eduardo Suplicy (PT-SP).
O jornal O Estado de S. Paulo já havia anunciado, em reportagem publicada no último dia 18, que a presidente tinha a intenção de estender o RDC a todas as obras do País caso a experiência da Copa fosse bem-sucedida.
A Medida Provisória 527, que trata do RDC, foi aprovada na semana passada pela Câmara. As emendas que modificam o texto deverão ser votadas hoje pelos deputados. Na mesma reunião ontem com ministros e líderes, a presidente autorizou a negociação de emendas de redação ao texto para evitar polêmicas sobre o sigilo dos preços e garantir a aprovação hoje.
O texto da medida provisória - que prevê o sigilo de preços de referência das obras - foi criticado por parlamentares da base, sobretudo do PMDB. Após ofensiva do Palácio do Planalto para convencer os aliados de que a proposta permitirá maior controle e redução dos preços, a resistência arrefeceu.
Defesa
"Todo mundo que não defende intenções escondidas sabe que as mudanças propostas no RDC são muito produtivas para o País", disse Vaccarezza, logo depois da reunião com a presidente. Segundo ele, o novo regime tem a vantagem de ocultar o quanto o governo pretende gastar numa obra, o que evitará a formação de cartéis ou conluios. "Ninguém que vai construir uma casa diz o quanto pretende gastar. Quer é saber quanto custará a obra", disse o líder.

Disputas no mar do Sul da China podem causar guerra, diz estudo.

Por James Grubel - Reuters:
Há um crescente risco de que os incidentes marítimos envolvendo a China desencadeiem uma guerra na Ásia, o que poderia envolver também os Estados Unidos e outras potências, alertou uma instituição australiana nesta terça-feira.
O Instituto Lowy afirmou em relatório que o comportamento de risco dos militares chineses nos mares do Sul e do Leste da China, junto com a demanda do país por recursos e sua maior assertividade no cenário global, elevam as chances de um conflito armado.
"As linhas marítimas do Indo-Pacífico na Ásia estão ficando mais lotadas, disputadas e vulneráveis a tensões armadas. Forças navais e aéreas estão sendo fortalecidas em meio a uma mudança nos equilíbrios do peso econômico estratégico", escreveram Rory Medcalf e Raoul Heinrichs, autores do estudo.
"As fricções da China com Estados Unidos, Japão e Índia devem persistir e se intensificar. Conforme crescem o número e o ritmo dos incidentes, cresce também a probabilidade de que um episódio chegue a um confronto armado, a uma crise diplomática ou possivelmente até a um conflito", diz o texto.
A divulgação do estudo coincide com o lançamento pela China, talvez já nesta semana, do seu primeiro porta-aviões, num símbolo da atual expansão militar de Pequim. Neste mês, a China enviou seu maior navio civil de patrulha ao mar do Sul da China, o que preocupou as Filipinas, que disputa com os chineses uma zona marítima supostamente rica em gás e petróleo.
Na segunda-feira, o Senado dos EUA aprovou uma moção que deplora o uso da força contra navios vietnamitas e filipinos no mar do Sul da China. Um porta-voz da chancelaria chinesa reagiu dizendo que a resolução "não para em pé", e que países que não estejam diretamente envolvidos na disputa não deveriam interferir.
O relatório australiano detalha também tensões entre China e Japão, decorrentes de um exercício militar chinês em abril de 2010 perto das ilhas japonesas de Okinawa, e exacerbados pela detenção de um pescador chinês cuja traineira abalroou uma embarcação da Guarda Costeira japonesa.
Esses incidentes causaram uma crise diplomática durante a qual a China interrompeu suas exportações de terras-raras, um mineral raro, para o Japão, maior aliado dos EUA na região.
(Reportagem adicional de John Chalmers em Cingapura, e Sabrina Mao e Ben Blanchard em Pequim)
* Estadão

Calça de veludo com bunda de fora.

— Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna contradição humana.
Última frase do conto "A Igreja do Diabo", de Machado de Assis.
               Nas contradições é que vemos muita calça de veludo com bunda de fora.
A   imagem  acima foi feita para   "O ruim é bom... para quem é pior", de 24 de junho de 2009. Para recordar: http://puteiro-nacional.blogspot.com/2009/06/blog-post_24.ht
Nem lembrava mais desta barbaridade: há dois anos, o hipócrita L.I. usava sua conhecida farsa para defender os altos impostos, sob a alegação de o Estado ter que ajudar os mais pobres. Segundo ele, "é melhor distribuir entre os pobres do que diminuir a carga tributária". Vá ser falso assim na caixa prego*, como dizia minha avó.     
* Nos tempos idos
Palavras relacionadas com caixa prego: difícil, pqp (essa foi boa!), conchichina, longe, distante, lugar longe, sumir, desaparecer, morrer, ir pro saco, cafundó, fim de mundo. Retirado do site Dicionário informal.
* Blog casa da mãe Joana

Caí no mundo e não sei como voltar.

Eduardo Galeano
O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…
Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas.
E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!
Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.
O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.
Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.
Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!
É mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.
E acontece que em nosso, nem tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.
Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.
Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.
Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?
Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.
Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava..
Desse tempo venho eu.  E não que tenha sido melhor.... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um novo modelo".
Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... por amor de Deus!
Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.
E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.
Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.
Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular a poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos...
Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrescos!! Como, para quê?  Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.
Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
E as pilhas! As pilhas das primeiras Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.
Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisa para enrolar.
Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne!!! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de bastos".
As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.
Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!
E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa.
E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!
Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.
Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.
Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.
Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour.
Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue...
*Eduardo Galeano, é Jornalista e escritor uruguaio

terça-feira, 28 de junho de 2011

Os europeus correm contra o muro.

Entrevista sobre a Europa, do Prof. Kuing Yamang, que viveu em França:
1. A sociedade europeia está em vias de se auto-destruir. O seu modelo social é muito exigente em meios financeiros. Mas, ao mesmo tempo, os europeus não querem trabalhar. Só três coisas lhes interessam: lazer/entretenimento, ecologia e futebol na TV! Vivem, portanto, bem acima dos seus meios, porque é preciso pagar estes sonhos de miúdos...
2. Os seus industriais deslocalizam-se porque não estão disponíveis para suportar o custo de trabalho na Europa, os seus impostos e taxas para financiar a sua assistência generalizada.
3. Portanto endividam-se, vivem a crédito. Mas os seus filhos não poderão pagar 'a conta'.
4. Os europeus destruíram, assim, a sua qualidade de vida empobrecendo.Votam orçamentos sempre deficitários. Estão asfixiados pela dívida e não poderão honrá-la.
5. Mas, para além de se endividar, têm outro vício: os seus governos 'sangram' os contribuintes. A Europa detém o recorde mundial da pressão fiscal. É um verdadeiro 'inferno fiscal' para aqueles que criam riqueza.
6. Não compreenderam que não se produz riqueza dividindo e partilhando mas sim trabalhando. Porque quanto mais se reparte esta riqueza limitada menos há para cada um. Aqueles que produzem e criam empregos são punidos por impostos e taxas e aqueles que não trabalham são encorajados por ajudas. É uma inversão de valores.
7. Portanto o seu sistema é perverso e vai implodir por esgotamento e sufocação. A deslocalização da sua capacidade produtiva provoca o abaixamento do seu nível de vida e o aumento do... da China!
8. Dentro de uma ou duas gerações 'nós' (os chineses) iremos ultrapassá-los. Eles tornar-se-ão os nossos pobres. Dar-lhes-emos sacas de arroz...
9. Existe um outro cancro na Europa: existem funcionários a mais, um emprego em cada cinco. Estes funcionários são sedentos de dinheiro público, são de uma grande ineficácia, querem trabalhar o menos possível e apesar das inúmeras vantagens e direitos sociais, estão muitas vezes em greve. Mas os decisores acham que vale mais um funcionário ineficaz do que um desempregado...
10. Vão (os europeus) direto a um muro e a alta velocidade...

Desonestidade é cultura.

Por João Ubaldo Ribeiro:
Sempre se tem cuidado com generalizações, para não atingir os que não se enquadram nelas. Às vezes o sujeito odeia indiscriminadamente toda uma categoria, mas, ao falar nela e, principalmente, ao escrever, abre lugar para as exceções, os "não-são-todos" e ressalvas hipócritas sortidas. Outros recorrem a gracinhas, como na frase do antigamente famoso escritor Pitigrilli, segundo a qual "as únicas mulheres sérias são minha mãe e a mãe do leitor". No caso presente, decidi que as generalizações feitas hoje excluem todos os leitores, a não ser, evidentemente, os que desejem incluir-se - longe de mim contribuir para aumentar nossa tão falada legião de excluídos.
Antigamente, era muito comum ler ensaios e artigos escritos por brasileiros em que nós éramos tratados na terceira pessoa: o brasileiro é assim ou assado, gosta disso e não gosta daquilo. Em relação a maus hábitos então, a terceira pessoa era a única empregada. O autor do artigo escrevia como se ele mesmo não fizesse parte do povo cuja conduta lamentava. Até mesmo nas conversas de botequim, durante as habituais análises da conjuntura nacional, o comum era (ainda é um pouco, acho que o boteco é mais conservador que a academia) o brasileiro ser descrito como uma espécie de ser à parte, um fenômeno do qual éramos apenas espectadores ou vítimas. Eu não. Talvez, há muito tempo, eu tenha escrito dessa forma, mas devo ter logo compreendido sua falsidade e passei a me ver como parte da realidade criticada. Individualmente, posso não fazer muitas coisas que outros fazem, mas não serei arrogante ou pretensioso, vendo os brasileiros como "eles". Não são "eles", somos nós.
Creio que, feita a exceção dos leitores e esclarecido que estou falando em nós e não em inexistentes "eles", posso expor a opinião de que fica cada vez mais difícil não reconhecer, vamos e venhamos, que somos um povo desonesto. Não conheço as estatísticas de países comparáveis ao nosso e, além disso, nossas estatísticas são muito pouco dignas de confiança. Mas não estou preparando uma tese de mestrado sobre o problema e não tenho obrigação metodológica nenhuma, a não ser a de não falsear intencionalmente os fatos a que aludo e que vem das informações e impressões a que praticamente todos nós estamos expostos.
Claro, choverão explicações para a desonestidade que vemos, principalmente nos tempos que atravessamos, em que a impressão que se tem é de que ninguém é mais culpado ou responsável por nada. Há sempre fatores exógenos que determinaram uma ação desonesta ou delituosa. E, de fato, se é assim, não se pode fazer nada quanto à má conduta, a não ser dedicar todo o tempo a combater suas "causas". Essas causas são todas discutíveis e mais ainda o determinismo de quem as invoca, que praticamente exclui a responsabilidade individual. E, causa ou não causa, não se pode deixar de observar como, além de desonestos, ficamos cínicos e apáticos. Contanto que algo não nos atinja diretamente, pior para quem foi atingido.
Ninguém se espanta ou discute, quando se fala que determinado político é ladrão. Já nos acostumamos, faz parte de nossa realidade, não tem jeito. Alguns desses ladrões são até simpáticos e tratados de uma forma que não vemos como cúmplice, mas como, talvez, brasileiramente afetuosa. Votamos nele e perdoamos alegremente seus pecados, pois, afinal, ele rouba, mas tem suas qualidades. E quem não rouba? Por que todo mundo já se acostumou a que, depois de uma carreira política de uns dez anos, todos estão mais gordinhos e com o patrimônio às vezes consideravelmente ampliado? Como é que isso acontece rotineiramente com prefeitos, vereadores, deputados, senadores, governadores, ministros e quem mais ocupe cargo público?
Os políticos, já dissemos eu e outros, não são marcianos, não vieram de outra galáxia. São como nós, têm a mesma história comum, vieram, enfim, do mesmo lugar que os outros brasileiros. Por conseguinte, somos nós. Assim como o policial safado que toma dinheiro para não multar - safado ele que toma, safados nós, que damos. Assim como o parlamentar que, ao empossar-se, cobre-se de privilégios nababescos, sem comparação a país algum.
Em todos os órgãos públicos, ao que parece aos olhos já entorpecidos dos que leem ou assistem às notícias, se desencavam, todo dia, escândalos de corrupção, prevaricação, desvio de verbas, estelionato, tráfico de influência, negligência criminosa e o que mais se possa imaginar de trambique ou falcatrua. E em seguida assistimos à ridícula, com perdão da má palavra, microprisão até de "suspeitos" confessos ou flagrados. A esse ritual da microprisão (ou nanoprisão, talvez, considerando a duração de algumas delas) segue-se o ritual de soltura, até mesmo de "suspeitos" confessos ou flagrados. E que fim levam esses inquéritos e processos ninguém sabe, até porque tanto abundam que sufocam a memória e desafiam a enumeração.
Manda a experiência achar que não levam fim nenhum, fica tudo por isso mesmo, porque faz parte do padrão com que nos domesticaram (taí, povo domesticado, gostei, somos também um povo muito bem domesticado) saber que poderoso nenhum vai em cana. E é claro que, por mais que negue isso com lindas manifestações de intenção e garantias de sigilo (como se aqui, de contas bancárias de caseiros a declarações de imposto de renda, algo do interesse de quem pode ficasse mesmo sigiloso), essa ideia de esconder os preços das obras da Copa tem toda a pinta de que é mais uma armação para meter a mão em mais dinheiro, com mais tranquilidade. Ou seja, é para roubar mesmo e não há o que fazer, tanto assim que não fazemos. Acho que é uma questão cultural, nós somos desse jeito mesmo, ladravazes por formação e tradição.

Gozação: Lula entra com pedido de reconhecimento de paternidade do filho de Fernando Henrique.

Depois de assumir a paternidade da estabilização da moeda, do fim da inflação e dos programas sociais, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva entrou no STF com um pedido de reconhecimento de paternidade do jovem Tomás Dutra Schmidt assim que soube do resultado negativo no exame de DNA.
Lula teria confidenciado a interlocutores próximos que tem muito mais competência para ser pai do que FHC
- Tem ex-presidente que começou o mandato com filho genro de banqueiro e terminou com filho genro de sem banco, eu comecei com o meu filho limpando bunda de elefante e terminei com ele empresário milionáio dos games, mesmo que meu filho jamais tenha conseguido até hoje atingir a telinha de cima no Donkey Kong. – teriam sido as palavras do ex-presidente Lula.
Não será necessária a sua ida à Nova York para exame de DNA porque ainda se encontra facilmente nos Estados Unidos amostras de saliva do ex-presidente. Tais amostras são remanescentes da sua última palestra na Microsoft no Vale do Silicone.

Isto é o Brasil.

Gaúcho viu no clima regular da serra uma oportunidade de negócios. Empresa produz 25 variedades de rosas. Outras 300 estão em teste na estufa.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Marcha para Jesus atrai milhões e incomoda esquerda.

Por Julio Severo:
Em vez de criticarmos a Marcha para Jesus, denunciemos o apoio de protestantes, pentecostais e neopentecostais ao PT e ao socialismo. Esse, de longe, é um problema muito maior do que picuinhas doutrinárias.
A 19ª edição da Marcha para Jesus, uma das maiores manifestações religiosas do mundo, se transformou num ato contra o PLC 122, contra a legalização da maconha e contra as afrontas cometidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O evento, que ocorreu em 23 de junho de 2011 na cidade de São Paulo, reuniu mais de 5 milhões de pessoas e enfureceu a esquerda radical.
"Ranço um tanto raivoso" dos evangélicos?
Cuspindo fogo e enxofre, Gilberto Dimenstein, da Folha de S. Paulo, se queixa de que a Marcha para Jesus "tem um ranço um tanto raivoso", enquanto que a parada gay "usa alegria para falar e se manifestar" - como se atos sexuais obscenos e uso de drogas, tão comuns nesses eventos gays, representassem a verdadeira alegria, e como se ninguém mais tivesse direito de se manifestar contra os abusos do STF, sob risco de levar o rótulo de ter "um ranço um tanto raivoso".
Esse "ranço um tanto raivoso" foi muito bem mostrado pela mídia esquerdista, que não poupou nenhuma crítica à Marcha para Jesus. O noticiário Último Segundo destacou que participaram da Marcha para Jesus Marcelo Crivella (PRB-RJ), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, e o Pr. Silas Malafaia, que foi tachado de "radical" por ter dito: "O STF rasgou a Constituição que, no artigo 226, parágrafo 3º, diz claramente que união estável é entre um homem do sexo masculino e uma mulher do sexo feminino. União homossexual uma vírgula... Amanhã se alguém quiser fazer uma marcha em favor da pedofilia, do crack ou da cocaína vai poder fazer. Nós, em nome de Deus, dizemos não".
Para decepção da Folha de S. Paulo e Último Segundo, 5 milhões de pessoas estavam ali para confirmar as palavras de Malafaia, que, numa coragem que raramente se vê no Brasil, afirmou: "Eles querem aprovar uma lei para dizer que a Bíblia é um livro homofóbico e botar uma mordaça em nossa boca. Se aprovarem o PL 122 no mesmo dia, na mesma hora, tudo quando é pastor vai pregar contra a prática homossexual. Quero ver onde vai ter cadeia para botar tanto pastor".
É de admirar tanta manifestação de "ranço um tanto raivoso" contra os evangélicos por parte de uma mídia que apoia de coração o PLC 122 e todos os abusos do STF?

Sobre a saúde de Hugo Chávez.




O Notalatina volta a falar sobre o mistério da ausência de Chávez, hoje com informações mais concretas, graves e de fonte confiável. O ponto forte desta edição de hoje, entretanto, fica por conta de dois vídeos ( acima) de uma entrevista concedida pelo tenente venezuelano exilado em Miami, José Antonio Colina, presidente da associação Veppex (Venezuelanos Perseguidos Políticos no Exílio) ao jornalista Tomas García Fuste, da Telemiami, em seu programa "Buenos Días Miami" de ontem (24.06).
As informações que este senhor oferece na entrevista coincidem com as publicadas pelo jornal "El Nuevo Herald" de Miami. Um jornalista venezuelano muito sério e bem conceituado, Casto Ocando, publicou através de sua conta no Twitter entre ontem e hoje, as seguintes mensagens: "Comentários sobre 'transição' de Diosdado Cabello em reunião com militares no Círculo Militar, na terça-feira 21, continuam criando ondas expansivas"; "Diosdado falou a militares da necessidade de preservar a Revolução, 'porque os homens passam', referência à potencial incapacidade de Chávez"; "Distribuem circular nos quartéis que insta a não se fazer eco de rumores sobre a má saúde presidencial, e fazer frente à desmoralização"; "Chancelaria brasileira expressa preocupação pela grave situação de Chávez, e se prepara para eventual sucessão".

Na Câmara, desperdício de R$ 151 milhões vira "economia"

Marco Maia, fazendo "milagre" desperdiçando dinheiro público
Na Folha de São Paulo:
A Câmara federal está prestes a votar uma mágica. Em dois movimentos, um desperdício de R$ 151,2 milhões será transformado em “economia” de gastos.
O ilusionismo consta de uma resolução editada pela Mesa diretora presidida pelo deputado Marco Maia (PT-RS). Leva o número 50/2011.
No primeiro ato, a peça cria 57 novas vagas do tipo CNE (Cargos de Natureza Especial). A coisa é “especial” porque as nomeações se dão sem concurso.
Os novos contratados vão reforçar o time de assessores das lideranças dos partidos. Uma equipe que, pelo regimento, deveria ser reduzida.
A novidade foi orçada em R$ 3,6 milhões por mês. Custo anual: R$ 43,2 milhões. Até o final da atual legislatura (mais três anos e meio): R$ 151,2 milhões.
No segundo ato, a resolução extingue 90 cargos de setores administrativos da Câmara. Anuncia-se uma “economia” de R$ 3,6 milhões mensais.
Como o corte é idêntico à despesa nova, a Câmara vende a tese de que vai aparelhar os gabinetes das lideranças sem ofender o bolso do contribuinte. Lorota.
Ao passar a faca num pedaço da folha de seus setores administrativos, a Câmara admite algo que negava: sua estrutura, por inchada, reclama cortes.
Ao injetar os recursos “economizados” na folha de não-concursados das lideranças, a Câmara incorre em inexplicável desperdício. Aos dados:
A resolução 50/2011, o documento que dá aos líderes a prerrogativa de nomear mais 57 pessoas, chega para alterar outra resolução, a 01/2007.
As duas resoluções fixam regras para o rateio dos “cargos especiais”. Quanto maior a bancada de um partido, maior a quantidade de assessores.
A resolução antiga dividia as legendas em oito faixas. A nova acomoda-as em 12 faixas. Por quê? Apenas para justificar a mandracaria.
Por exemplo: a bancada do PMDB caiu na eleição de 2010 de 89 para 78 deputados. Pela regra antiga, seu time de assessores murcharia de 92 para 76.
Pela regra nova, o PMDB foi reacomodado numa faixa que lhe dá o “direito” de conservar os mesmos 92 “cargos especiais”. Salvaram-se 16 cabeças.
Lipoaspirado, o DEM caiu de 65 para 43 deputados. A assessoria teria de emagrecer de 76 para 54 cargos. Ficará do mesmo tamanho. Livraram-se 22 escalpos.
O PPS, que tinha 22 deputados, saiu das urnas com 12. Pela resolução nova, cairá de 37 assessores para 32. Pela antiga, ficaria com 24. Oito pescoços a menos.
Não é só. Legendas que emergiram das urnas com o mesmo número de deputados vão nomear mais assessores.
É o caso do PTB. Manteve-se com 22 deputados. Com a nova regra, porém, sua equipe de assessores vai de 37 para 57. Acréscimo de 15 contracheques.
Há mais. O PT, que tinha 83 deputados, cresceu em 2010 para 88. O acréscimo de cinco cadeiras não foi suficiente para elevá-lo de faixa no quadro de assessores.
Mantidas as regras que vigiam desde 2007, o PT teria a mesma quantidade de cargos: 92. Com a mudança, vai nomear 104. Doze bocas a mais.
O PP, que passou de 41 deputados para 44, também teria de se contentar com os 54 “cargos especiais” de que dispunha. Saltará para 76. Mais 22 “janelas”.
A magia da conversão de economia em desperdício espalhou seu encantamento para praticamente todas as legendas com assento na Câmara.
PSB e PDT, que ficariam com 46 cargos, saltarão para 52. PCdoB e PV pularão de 24 "cargos de natureza especial" para 32 cada um.
A mágica produziu apenas uma vítima. A despeito de ter saído de 2010 do mesmo tamanho, o PSOL foi enquadrado numa faixa que reduz sua assessoria de 17 para 8 pessoas.
Chico Alencar (RJ), o líder do PSOL, levou a boca ao trombone. E a votação da encrenca, que deveria ter ocorrido na semana do São João, foi adiada por Marco Maia.
Há pior: vários partidos organizaram-se em blocos. No trecho em que prevê esse tipo de arranjo, o regimento da Câmara anota:
“As lideranças dos partidos que se coligarem em bloco parlamentar perdem suas atribuições e prerrogativas regimentais”.
Significa dizer que, no rateio dos "cargos especiais", os partidos teriam de ser considerados como blocos, não individualmente.
Se o regimento fosse levado ao pé da letra, em vez de tirar 57 novos cargos da cartola, a Câmara teria de fazer desaparecer 77 assessores.

Como melhorar a produção de etanol e melhor regular seu preço.


O sorgo que alimentava o gado agora ganha a atenção dos pesquisados para a produção de álcool. Na entressafra da cana-de-açucar, a planta ampliaria o período de moagem das usinas.

domingo, 26 de junho de 2011

Paulo Renato: a competência generosa.

Paulo Renato em foto de Marcia Gouthier
“Zé, vou te dizer uma coisa: poucas vezes estive tão bem, tão feliz, como agora.”
Ouvi isso do Paulo Renato num momento do balanço de vida que fizemos na noite do domingo passado, no seu apartamento. O pretexto do encontro foi a reativação do Instituto Social-Democrata, que ele presidia. Mas esse tema exigiu pouco das três ou quatro horas em que lá estive.
Ele acabara de voltar de um hospital de Porto Alegre, onde fora acompanhar a mãe, que tinha sofrido uma cirurgia. O relato da viagem deu lugar a uma conversa descontraída, sem agenda, de amigos antigos e profundos, com um pouco sobre tudo — o estado das artes de cada um de nós, a situação dos filhos, episódios comuns do passado, pessoas que desapareceram prematuramente e até a saúde pessoal dele.
Ali estava o Paulo, fisicamente bem disposto, animado com o novo trabalho e, naquela altura da vida, sem amarguras ou ressentimentos, satisfeito com o que fizera pela educação no Brasil e em São Paulo, entusiasmado com a visita da sua filha mais jovem, que mora no México, com seus dois netos, mostrando-me até o quarto que tinha preparado para hospedá-los. Aliás, ele sempre foi um pai atento e carinhoso para seus três filhos.
Uma das virtudes do Paulo Renato sempre foi o espírito prático – estudar bem os assuntos, avaliar, fazer acontecer. Mostrou isso como aluno no curso de pós-graduação de economia da Universidade do Chile, funcionário qualificado da OIT na área de políticas de emprego, professor universitário, membro da equipe da Secretaria de Planejamento, secretário de Estado, Reitor da Unicamp, gerente de operações do Banco Interamericano de Desenvolvimento e coordenador do programa de governo do candidato Fernando Henrique Cardoso na campanha eleitoral de 1994. Atuou da mesma maneira no MEC, na Secretaria da Educação em São Paulo e como deputado federal na última legislatura.
Ele tinha enorme capacidade para aprender questões novas para organizar propostas ou decisões. Lembro-me de dois exemplos menores, mas muito ilustrativos. Professor da Unicamp num certo período, coordenou pesquisas para a Coalbra, empresa federal presidida pelo Sérgio Motta, ainda no governo Figueiredo, em plena crise do petróleo, destinada a implantar fábricas de extração do álcool da madeira no Brasil! Num projeto sobre Reforma Tributária, começo dos oitenta, organizado por mim no Cebrap, coube ao Paulo uma das partes mais difíceis: diretrizes para distribuir 20% do então ICM entre municípios de um Estado, fora dos critérios do valor adicionado por cada um deles. Ele não era versado em sistema tributário, muito menos no tema que lhe coube: pouco conhecido, difícil, importante, mas chato. Em pouco tempo, porém, conseguiu sintetizar o assunto e fazer uma proposta engenhosa.
Paulo Renato foi o segundo ministro da Educação mais longevo de nossa história – durantes os oito anos de mandato de Fernando Henrique Cardoso —, ficando atrás apenas de Gustavo Capanema, durante a ditadura do Estado Novo. Sua gestão fez enorme diferença para a educação brasileira. Ele conseguiu aprovar a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação e abriu o caminho para as grandes avaliações sobre a situação do nosso sistema de ensino, criando o ENEM e o SAEB, inicialmente tão hostilizados pelas corporações mais partidárias (e reacionárias) da área educacional.
Com sua equipe, Paulo Renato concebeu e implantou o Fundef — marco do reforço da educação básica no Brasil, e contra o qual votaram as bancadas do PT da Câmara e no Senado. O fundo levou mais recursos e descentralização para o ensino fundamental e associou-se a uma das fases de maior expansão do número de crianças na escola, que chegou no limiar dos 100% — ou seja, à universalização do ensino básico. Foram dele, também, o estabelecimento dos Parâmetros Curriculares Nacionais, o primeiro programa de disseminação massiva do Ensino Técnico no Brasil e a criação do programa Bolsa-Escola, que, junto com a Bolsa Alimentação e outros programas do período, deram lugar ao Bolsa Família. Note-se que o Bolsa- Escola partiu do zero e avalie-se, então, o tamanho da competência dos seus gestores iniciais, que o implantaram, com o ministro Paulo Renato à frente. Por último, apesar da badalação do governo Lula em relação às universidades federais, Paulo Renato pôde registrar que, durante o governo de Fernando Henrique, o crescimento de matrículas foi de 6% ao ano, contra 3,2% entre 2003 e 2008 – seis anos do governo seguinte.
No seu segundo período como secretário da Educação em São Paulo — tinha sido secretário também do Franco Montoro —, entre 2009 e 2010, quando fui governador, Paulo Renato construiu os pilares das reformas mais profundas em nível estadual já feitas no Brasil nas últimas décadas – iniciadas, diga-se, antes de ele assumir a secretaria por pessoas de sua equipe no ministério, como a Maria Helena Castro. Entre muitas outras coisas, foi introduzido o mérito – avaliado individualmente e por meio de resultados — como fator relevante de promoção e remuneração. Foi consolidado o programa Ler e Escrever (incluindo a elaboração de material didático para alunos e professores) e criada a Escola do Professor, que ministra quatro meses de cursos posteriores à aprovação de candidatos nos concursos do magistério, a fim de aprimorar suas condições pedagógicas.
Na secretaria, Paulo mostrou mais uma vez quatro outros atributos que marcaram sua vida pública: saber juntar gente preparada para acompanhá-lo; não temer dar-lhes oportunidades de realização e prestígio; manter-se calmo em momentos difíceis e ter coragem de impulsionar mudanças complexas e fundamentais, correndo riscos e enfrentando interesses. Não se creia que era politicamente inábil. Ao contrário, sabia persuadir e negociar com adversários, até em razão de sua atitude de respeito aos outros, paciência infinita e personalidade cordial, sem falar do seu espírito prático. Oitenta por cento das tensões havidas na área educacional durante essa fase das reformas deveram-se a motivações puramente eleitorais, em face da sucessão presidencial e estadual.
No encontro de domingo à noite, evocando sua passagem pelo Institute for Advanced Study de Princeton, onde eu morava e trabalhava, durante todo o verão de 1977, Paulo lembrou da motivação original da viagem: operar os olhos de dois de seus três filhos, feridos pela explosão de um artefato deixado num lugar descampado pelo militares que promoveram o golpe de 1973 no Chile, em alguma de suas ações de controle de território ou pura repressão. Num passeio campestre de toda a família, em 1975, ocorreu a tragédia, por sorte sem consequências graves no longo prazo.
Eu sugeri que ele escrevesse sobre esse período (e outros) de sua vida e relatasse, do seu ângulo, a experiência que viveu no Chile do general Pinochet, incluindo suas ações de solidariedade aos perseguidos na época, como eu próprio. Ele respondeu que seria até prazeroso fazê-lo, que já tinha até pensado em anotar fatos e ideias. Quis a fatalidade que isso agora fique por conta dos seus amigos. O relato de uma vida que fez tanto bem ao nosso povo.
* Por José Serra, Publicado no Estadão.com.br em 26/06/2011 sobre o ex-ministro Paulo Renato Souza, que faleceu na noite de sábado aos 65 anos.