quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Desencanto.


“Não posso defender um regime sob o qual eu não gostaria de viver. Não posso admirar um país do qual eu não possa sair na hora que eu quiser. Não dá para defender um regime em que eu não possa publicar um livro sem pedir permissão ao governo. Apesar disso, há uma porção de intelectuais brasileiros que defendem Cuba, mas, obviamente, não querem viver lá de jeito nenhum. É difícil para as pessoas reconhecer que estavam erradas, que passaram a vida toda pregando uma coisa que nunca deu certo."
*Ferreira Gullar, 82 anos, um dos maiores poetas brasileiros, foi militante do Partido Comunista, desiludiu-se do socialismo em todas as suas formas e hoje acha o capitalismo invencível.

A covardia dos petralhas.

Vale a pena ler a verdade 

Saúde em perigo



Os resultados do projeto-piloto criado pelos Ministérios da Saúde e da Educação para validar diplomas de médicos formados no exterior  confirmaram os temores das associações médicas brasileiras.

Dos 628 profissionais que se inscreveram para os exames de proficiência e habilitação, 626 foram reprovados e apenas 2 conseguiram autorização para clinicar.

A maioria dos candidatos se formou em faculdades argentinas, bolivianas e, principalmente, cubanas.

As escolas bolivianas e argentinas de medicina são particulares e os brasileiros que as procuram geralmente não conseguiram ser aprovados nos disputados vestibulares das universidades federais do País.

As faculdades cubanas, a mais conhecida é a - Escola Latino-Americana de Medicina (Elam) de Havana - são estatais e seus alunos são escolhidos não por mérito, mas por afinidade ideológica.

Os brasileiros que nelas estudam não se submeteram a um processo seletivo, tendo sido indicados por movimentos sociais, organizações não governamentais e partidos políticos.

Dos 160 brasileiros que obtiveram diploma numa faculdade cubana de medicina, entre 1999 e 2007, 26 foram indicados pelo Movimento dos Sem-Terra (MST).

Desde que o PT, o PC do B e o MST passaram a pressionar o governo Lula para facilitar o reconhecimento de diplomas cubanos, o Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira têm denunciado a má qualidade da maioria das faculdades de medicina da América Latina, alertando que os médicos por elas diplomados não teriam condições de exercer a medicina no País.

As entidades médicas brasileiras também lembram que, dos 298 brasileiros que se formaram na Elam,entre 2005 e 2009, só 25 conseguiram reconhecer o diploma no Brasil e regularizar sua situação profissional.

Por isso, o PT, o PC do B e o MST optaram por defender o reconhecimento automático do diploma, sem precisar passar por exames de habilitação profissional - o que foi vetado pelo Conselho Federal de Medicina e pela Associação Médica Brasileira.

Para as duas entidades, as faculdades de medicina de Cuba, da Bolívia e do interior da Argentina teriam currículos ultrapassados, estariam tecnologicamente defasadas e não contariam com professores qualificados.

Em resposta, o PT, o PC do B e o MST recorreram a argumentos ideológicos, alegando que o modelo cubano de ensino médico valorizaria a medicina preventiva, voltada mais para a prevenção de doenças entre a população de baixa renda do que para a medicina curativa. No marketing político cubano, os médicos "curativos" teriam interesse apenas em atender a população dos grandes centros urbanos, não se preocupando com a saúde das chamadas "classes populares".

Entre 2006 e 2007, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara chegou a aprovar um projeto preparado pelas chancelarias do Brasil e de Cuba, permitindo a equivalência automática dos diplomas de medicina expedidos nos dois países, mas os líderes governistas não o levaram a plenário, temendo uma derrota.

No ano seguinte, depois de uma viagem a Havana, o ex-presidente Lula pediu uma "solução" para o caso para os Ministérios da Educação e da Saúde. E, em 2009, governo e entidades médicas negociaram o projeto-piloto que foi testado em 2010.

Ele prevê uma prova de validação uniforme, preparada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do MEC, e aplicada por todas as universidades. Por causa do desempenho desastroso dos médicos formados no exterior, o governo - mais uma vez cedendo a pressões políticas e partidárias – pretende modificar a prova de validação, sob o pretexto de "promover ajustes".

As entidades médicas já perceberam a manobra e afirmam que não faz sentido reduzir o rigor dos exames de proficiência e habilitação.
Custa crer que setores do MEC continuem insistindo em pôr a ideologia na frente da competência profissional, quando estão em jogo a saúde e a vida de pessoas.

A SOCIEDADE PRECISA SABER! - E PRESSIONAR O JUDICIÁRIO PARA IMPEDIR ESTE ESCANDALOSO ABSURDO DESTE DESGOVERNO COMUNO-FASCISTO-PETRALHA, QUE EXPÕE AO RISCO A SAÚDE E A VIDA DOS BRASILEIROS, SÓ PARA AGRADAR AO DITADOR GENOCIDA BARBUDO DE CUBA.
*Texto por Álvaro Pedreira de Cerqueira, por e-mail, via Grupo Resistência Democrática

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Irresponsabilidade degradante.


Instituto Médico Legal de Alagoas, abandonado pelos Médicos Legistas
Numa greve caracterizada pela total ignorância da legislação vigente, inclusive sem respeitar a manutenção do trabalho de 30% do contingente, os médicos legistas do Instituto Médico Legal de Alagoas, cruzaram os braços ou abandonaram, por completo, o local de trabalho, onde acumulam-se corpos.
Os médicos do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar já se preparam para assumir os serviços no Instituto Médico Legal (IML). O diretor do órgão, Luiz Correia Mansur, afirmou que, ainda nesta terça-feira (25), haverá uma reunião para definir a escala de plantões dos oficiais médicos para que eles iniciem os trabalhos o mais rápido possível.
Os médicos militares já foram informados da determinação do Conselho Estadual de Segurança Pública (Conseg) e aguardam apenas a definição das escalas para iniciar os trabalhos. "Esperamos que isso seja definido ainda hoje para que iniciem imediatamente os trabalhos", explicou Mansur.
Mesmo especialistas em outras áreas como oftalmologia, cardiologia e pediatria, os médicos terão que fazer perícias médico-legais, como necropsia, exame de conjunção carnal e corpo de delito.
É uma operação de emergência já que os corpos se acumulam ( não podem ser liberados sem perícia médica ) e a situação se tornou degradante.
Os grevistas querem maiores salários já que não estão satisfeitos com o que percebem atualmente, embora sejam,anualmente, reajustados, com base no Índice oficial de Inflação.

Ministro incapaz, segundo Bolsonaro.

Miau! Miau! Miau!


Por Ricardo Noblat

Tem rabo de gato. Focinho de gato. Olhos de gato. Pelo de gato. Mia como um gato. Mas está longe de ser um gato, segundo a malta dos que nada veem demais na escolha em tempo recorde do ministro Teori Zavascki para a vaga do ministro Cezar Peluso no Supremo Tribunal Federal (STF).
E também na pressa com que estão sendo tomadas as providências para que ele assuma o cargo o mais rapidamente possível.
Porta-vozes formais e informais da presidente Dilma Rousseff juram por todos os santos que longe dela a vontade de interferir de alguma forma no julgamento do processo do mensalão. Pelo contrário.
Ela quer distância do processo, de sua repercussão e das futuras consequências. Mensalão é herança pesada deixada pelo governo anterior. Dilma jamais dirá isso, é claro. Nem em sonho. Mas é assim que pensa. Logo...


Logo por que se envolveria com manobra esperta indicando um ministro para influir no resultado das votações do processo? Ou pior: para tentar adiar o julgamento como sempre foi desejo expresso de Lula, avalista e tutor político de Dilma?
Não. Ela saltaria na jugular de quem lhe sugerisse tais coisas abjetas. Até mandou espalhar a história de que escolheu Teori sob a condição de ele não votar no julgamento do processo. Escolheu-o para não ser obrigada a engolir alguém que Lula lhe apontasse.
Mas a escolha foi relâmpago. (Miau!) Dois dias depois de anunciada, Teori começou a bater perna dentro do Senado atrás de votos. (Miau! Miau!)
Renan Calheiros (PMDB-AL), candidato a presidente do Senado, pediu para relatar a indicação de Teori. (Miau! Miau! Miau!)
Esvaziado pela eleição, o Senado foi convocado para aprovar esta semana o nome do terceiro ministro que Dilma emplacará no STF. (Miau! Miau! Miau! Miau!)
Dilma levou seis meses para remeter ao Senado o nome do atual ministro Luiz Fux. No caso da ministra Rosa Weber, três meses. Gastou apenas 11 dias para remeter o de Teori.
Lula telefonou para ela antes de Peluso se aposentar. Quis saber em quem ela pensava para a nova vaga de ministro. Dilma respondeu que se o advogado Sigmaringa Seixas concordasse seria ele.
Sigmaringa é amigo de copa e cozinha de Lula. Nunca topou ser ministro do STF. Nas duas vezes em que foi sondado ainda durante o governo Lula, alegou que lhe falta "notório saber jurídico" como exige a Constituição.
Excesso de rigor! Tem ministro no STF que já foi reprovado duas vezes em concurso para juiz de primeira instância. Sigmaringa foi um dos fiadores junto à Dilma da indicação de Teori. Outro fiador: o ministro Gilmar Mendes.
Teori tem fama de homem sério. Por sério não se prestaria a ser peça de uma jogada política. Sua seriedade, porém, o impediria de retardar o exame do seu nome pelo Senado.
Uma vez no STF deixaria de ser sério só por estar disposto a exercer de imediato a função de juiz? Absurdo!
De resto, que juiz sério votaria sem antes estudar o que tivesse de votar? Para estudar, só pedindo vistas do processo. (Miau! Miau! Miau! Miau! Miau!)
Sentado numa daquelas cadeiras do plenário do STF, envergando a toga que parece conferir ao seu usuário a aura de homem sábio e correto, um ministro não deve satisfações a ninguém. Somente a Deus, se acreditar nele, e à sua consciência.
Cada um à sua maneira, é assim que procedem, por exemplo, os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, as duas peças-chaves do processo do mensalão.
Ambos ganharam assento no STF graças a Lula. Joaquim por ser negro e ter o melhor currículo entre os juristas negros disponíveis na ocasião. Lewandowski por ter um bom currículo e ser dileto amigo da família de dona Marisa, a ex-primeira dama.
Lula está furioso com a independência de Joaquim e satisfeito com o bom comportamento de Lewandowski, a quem visitou em casa antes do julgamento começar.
Não cobrem de Lula apego férreo ao princípio da separação dos poderes. Lula concorda com todos os princípios que balizam o sistema democrático desde que não lhe sejam adversos. Desde que possa ignorá-los sempre que lhe convier e sem prejuízo para sua imagem.
O mensalão atingiu em cheio a soberania do Legislativo. Pagou-se caro por apoios ao governo. Lula foi contra o suborno de deputados? Disse que não sabia.
Marcos Valério acusou Lula de ter chefiado o esquema do mensalão. Em entrevista à VEJA, deu a entender que Lula só não caiu porque ele, José Dirceu e Delúbio Soares jamais contaram o que sabem.
Lula respondeu o quê? Nada. Acusação tão grave ficou sem resposta dele.
O que Lula teme? Que Valério, uma vez confrontado por ele, faça novas revelações? E que elas acabem forçando a Justiça a processá-lo?
Acionados por Lula, o PT e partidos aliados acusaram setores conservadores da sociedade de pressionarem o STF para que faça do julgamento do mensalão um meio de “golpear a democracia”.
Santo Deus! Sandices! Um monte de sandices que aos ignorantes impressiona e aos mais fracos assusta. Como se o STF fosse formado por um monte de tontos.
A presidente da República é Dilma. Que desfruta, hoje, do sólido apoio dos seus governados. Em que parte do mundo conhecido já se ouviu falar de ameaça de golpe contra ex-presidente?
O PT denuncia a iminência de um golpe contra Lula! Ahahahahah!
O PT está no poder há 10 anos. Oito dos atuais 10 ministros do STF devem o emprego a Lula e à Dilma. E no entanto... Tem um golpe em marcha contra Lula! Ahahahahah!
À distância ouve-se o barulho das esteiras dos tanques nas estradas asfaltadas que convergem para São Bernardo, onde Lula mora.
No país da jabuticaba, golpe contra ex-presidente é coisa nossa, e somente nossa! Quanto a golpe a favor de ex-presidente... Miau!

Como pode a mentira ser baliza da verdade?


Os amigos de Maria Rita Kehl já querem fazer abaixo-assinado!!! Ai, que medinho! Tenham vergonha na cara e parem de “lacanagem”! Ou: Como pode a mentira ser baliza da verdade?

Já começou o nhenhenhém por causa dos textos que escrevi contestando Maria Rita Kehl, a psicanalista especializada em “lacanagem”. Alguns ficaram furiosos justamente por causa desta minha brincadeira: “lacanagem”, que é uma referência óbvia a “Lacan” — Maria Rita se diz uma “lacaniana” — e à palavra “sacanagem”.
Não emprego o segundo termo, obviamente, com conotação sexual — basta consultar o dicionário para saber que essa é apenas uma das suas acepções; nem é a mais comum. Não me ocorreria, de jeito nenhum!, associar o pensamento de Maria Rita a qualquer coisa que remetesse à libido, ao prazer e ao gozo — ainda os mais perversos.
Refiro-me à sacanagem como “ludibrio”, “maldade”, “perversidade”. Aí, sim! É, entendo, o que esta senhora faz com os fatos quando escreve. Ela ganhou alguma reputação como “psicanalisa” — “lacanana”, dizem. Loquaz que é, verborrágica mesmo, costuma pôr essa reputação a serviço da política, vendendo ideologia como se fosse ciência. Eis a “lacanagem”. Não! Eu não estou sendo sacana com ela. Ela é que está sacaneando Lacan e os fatos.
De resto, esse é o aspecto apenas lúdico dos textos que escrevi sobre ela. Eu quero é que ela responda à história. Eu a estou contestando com dados, com números, com fatos. Se ela puder me vencer nesse terreno, muito bem; se não puder, perdeu, ué! Só resta agora os seus amigos de sacanagem retórico-ideológica organizar um abaixo-assinado. Fiquei sabendo que já há gente pensando nisso. É o que costuma fazer a tropa fascistoide. Quando perde na argumentação, logo assina uma lista de protesto… Ai, que medinho! Ah, tenham paciência!
Maria Rita afirmou que o regime militar matou milhares de camponeses e índios. É uma revolução na história daquele período. Quero saber quais são as suas fontes. Como isso não aconteceu, ela está contando uma mentira. Como integra, por irônico que seja, a “Comissão da Verdade”, pergunto como pode a mentira ser a guia moral da verdade.
Até Maria Rita não apresentar as suas fontes, eu continuarei a tratá-la como a porta-voz da mentira na Comissão da Verdade. Perguntarei todos os dias: “E aí, Maria Rita, cadê as fontes?”. Se eu esquecer, vocês podem fazê-lo no meu lugar, na área de comentários. 

* Por Reinaldo Azevedo

Ações do documento Brasiguaios apoiam Franco e criticam Dilma

Em lua de mel com o governo do Paraguai, líderes dos agricultores brasileiros que vivem no país vizinho saíram em defesa do presidente Federico Franco. Para o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência do Brasil, Marco Aurélio Garcia, os "brasiguaios" estão sendo usados por Franco como forma de pressionar pelo cancelamento da suspensão do país do Mercosul e da Unasul (União de Nações Sul-Americanas).
A suspensão do Paraguai desses organismos dura desde o impeachment relâmpago do ex-presidente Fernando Lugo, em junho último, visto pelos vizinhos e parceiros de bloco como um golpe institucional.
O último episódio de atrito entre Brasil e Paraguai começou na quarta-feira passada, quando Franco atendeu a um convite dos brasiguaios, alinhados a ele desde a troca de governo, para visitar a cidade de Santa Rita, onde vive uma grande comunidade de agricultores brasileiros. Ali, Franco recebeu manifestações de apoio, disse que sua relação de amizade era com o povo brasileiro, não com o governo, e enviou um recado à presidente Dilma Rousseff.
"Eu faço votos para que a senhora presidente [Dilma] escute seus compatriotas, vizinhos, e que possa escutar os cidadãos paraguaios de origem brasileira que vivem aqui", afirmou ele. "Depois de escutá-los, ela poderá entender que o que aconteceu aqui foi uma mudança de governo como consequência de um julgamento político e constitucionalmente aceito."
A reação brasileira veio dois dias depois, por meio de Garcia, ao ser questionado por repórteres em Brasília sobre o encontro. "Não gostaríamos que cidadãos brasileiros ou de dupla nacionalidade fossem instrumentalizados em função de política nacional", afirmou ele.
O comentário do assessor da presidente fez os brasiguaios saírem em defesa do presidente Franco. No mesmo dia, eles soltaram uma nota repudiando a declaração. "A comunidade imigrante não está nem se sente utilizada de nenhuma forma pelo novo governo do presidente Federico Franco, por ter em conta a situação de paz que se encontra em seu trabalho diário nos dias atuais", diz o documento.
A paz a que se refere o documento está na sensação entre os brasiguaios de que Franco atua para conter as invasões de suas terras, algo que, na opinião dos agricultores, o ex-presidente Lugo estimulava. "No governo Lugo, o imigrante era perseguido, as invasões de terra eram constantes e as ordens de desocupação não eram obedecidas", disse o agricultor Darci Bortoloso, presidente da cooperativa Copronar e há 35 anos no Paraguai, um dos signatários da nota. "O ambiente agora é mais tranquilo, de trabalho, união, sem ódio entre brasileiros e paraguaios."
Outro signatário, Juacir Reposse, agricultor que recebeu o presidente Franco em um almoço em sua casa, em Santa Rita, faz duras críticas ao Brasil por sua postura diante do atual governo paraguaio. "A presidente Dilma nos deu um chute na bunda", disse ao Valor. Para ele, Dilma e os presidentes Cristina Kirchner, da Argentina, e José Mujica, do Uruguai, só criticaram a troca de governo "porque Lugo era da linha deles, de guerrilheiros".
Reposse é um dos fundadores de Santa Rita, município com 30 mil habitantes, dos quais 90% são brasileiros ou descendentes, de acordo com ele.
Estima-se que vivam no Paraguai cerca de 400 mil brasileiros. Eles são responsáveis por aproximadamente 70% da produção de soja, principal produto de exportação do país.
*Por Fabio Murakawa, no Valor Econômico

Como o Brasil ficou refém de uma decisão de Chávez


Dentro de duas semanas a Venezuela decide quem vai comandar o país a partir de 2013. E o governo Dilma Rousseff descobrirá, então, com quem terá de negociar o impasse em torno de interesses do Brasil, cujo valor somado em contratos supera US$ 40 bilhões - metade num único empreendimento binacional no setor de petróleo.
Há dias discute-se em Brasília a conveniência de Dilma receber o candidato da oposição, Henrique Capriles. Aos lamentos de Chávez, o governo tem contraposto a interferência aberta de Lula e do PT em apoio ao presidente venezuelano.
Há muito tempo a relação entre Lula e Chávez ultrapassou os limites das afinidades pessoais e políticas, avançando para a fronteira dos negócios. Por exemplo: numa rápida visita a Caracas, no ano passado, Lula conseguiu de Chávez algo que até então parecia quase impossível a empreiteiros brasileiros: o desbloqueio de US$ 700 milhões em pagamentos pendentes.
Juntos, em 2005, eles construíram uma fantasia em torno de um empreendimento estratégico para o Brasil - a construção da primeira refinaria de petróleo da Petrobras depois de três décadas. Ela é essencial ao país, cujo consumo de derivados tem previsão de crescimento à média de 4% ao ano até 2020. Na luta pela reeleição, Lula usou a Petrobras para expandir sua base eleitoral no Nordeste. Anunciou a construção de três refinarias - em Pernambuco, no Ceará e no Maranhão. Saiu da eleição com 77% dos votos válidos nordestinos (20 milhões de eleitores garantiram-lhe 33% da votação nacional, algo sem precedentes). Chávez, no seu devaneio por reconhecimento como líder continental, usou a estatal PDVSA para se associar a Lula no projeto pernambucano.
Das três refinarias, só a de Pernambuco saiu do papel. Começou como um negócio de US$ 2 bilhões, o custo foi multiplicado por dez, a sócia venezuelana (a estatal PDVSA) hesita até hoje e o resultado é um buraco de mais de US$ 21 bilhões nas contas da Petrobras, segundo a estatal brasileira.
Nos últimos dias, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, tentou explicar no Congresso o impasse. “Nós temos um erro básico”, disse a presidente da Petrobras no Senado.
“Esse projeto”, continuou ela, “foi concebido para ser um projeto de dois ‘trens’ (no jargão do setor, duas linhas de produção): um de refino dedicado à PDVSA, com óleo mais pesado da PDVSA; um ‘trem’ dedicado ao refino do óleo mais leve da Petrobras. Esse projeto só faz sentido sendo um projeto binacional, Brasil-Venezuela.”
Ela contou que perdeu a conta dos prazos dados ao governo Chávez para assinatura do contrato. Há registro de pelo menos dez, desde 2005. “O último prazo que eu negociei”, disse, “foi um prazo que vai até novembro.” E se o impasse persistir? “Se chegar novembro, e eles não apresentarem as garantias vou discutir um novo prazo”, respondeu. “Não quero que eles digam: ‘não, não vou’. Quero que eles digam: ‘sim, eu vou’. Eles precisam vir porque essa refinaria foi projetada pela Petrobras e pela PDVSA. Ela tem um custo por trabalhar com dois óleos. A PDVSA precisa vir para ser sócia, porque essa refinaria foi projetada para dois petróleos. Esse petróleo único é que vai otimizar todo o refino.”
Reconhecida a sinceridade da presidente da Petrobras, restou à plateia de parlamentares uma certeza: o Brasil ficou refém da Venezuela.
Há um buraco de US$ 21 bilhões nas contas da Petrobras e predominam incertezas sobre o mercado brasileiro de derivados de petróleo, cujo futuro depende da Venezuela.


*
José Casado mundo.online@oglobo.com.br

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Classe média de araque.

José Fucs - Revista Época
Descrição: http://prosaepolitica.com.br/wp-content/uploads/2012/09/Colchao_final-250x191.jpg
estudo sobre a nova classe média brasileira, divulgado nesta quinta-feira pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, deve ser visto com cautela.
De acordo com a pesquisa, mais da metade da população do país, mais precisamente 53%, equivalentes a 104 milhões de pessoas, fariam parte hoje da tal classe média emergente.
Só que essa “classe média” é composta por famílias com renda per capita entre R$ 291 e R$ 1019, de acordo com os novos critérios de classificação definidos pela SAE adotados pelo estudo.
Com base nesses critérios, um casal sem filhos com renda mensal de R$ 582 – 93% do atual salário mínimo –, já seria considerado classe média no Brasil – o que, evidentemente, não faz o menor sentido.
Não por acaso, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) considera como classe C (o degrau inicial da classe média) quem tem renda uma mensal familiar maior, entre R$ 1.200 e R$ 4.500, algo muito mais próximo da realidade.
Ainda assim, é bem menos do que se considera como classe média nos Estados Unidos. Lá, uma família de classe média tem uma renda entre US$ 30 mil (R$ 60 mil) a US$ 75 mil por ano (R$ 150 mil) ou US$ 2.500 (R$ 5 mil) a US$ 6,25 mil (R$ 12.500) por mês.
Do jeito que a coisa vai, logo, logo o governo petista vai dizer que quem mora num barraco na favela, mas tem televisão, geladeira e um colchão para dormir no chão também faz parte da classe média emergente.
 Isso pode parecer um absurdo metodológico, mas talvez seja uma ferramenta importante para iludir os desavisados (do Brasil e do exterior) e para engrossar os votos do partido do governo nas eleições.