sexta-feira, 30 de junho de 2017

Danilo Gentili não perdoa: bate no Jean Wyllys.

video

Conselheiro dos Direitos Humanos que recebia dinheiro do PCC para atacar Polícia é condenado.

Luiz Carlos dos Santos pegou 16 anos por ajudar bandidos dentro do Condepe/SP
Na primeira sentença decorrente de uma grande operação contra o Primeiro Comando da Capital, o PCC, a Justiça de São Paulo condenou Luiz Carlos dos Santos, ex-vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Estado de São Paulo, o Condepe, a 16 anos e dois meses de prisão. Santos é acusado dos crimes de corrupção passiva e ativa por cooperar com a principal facção criminosa do país. De acordo com a sentença dada nesta terça-feira (27), o então conselheiro do Condepe recebia uma mesada de R$ 5 mil para realizar falsas denúncias de violência promovidas por membros do estado, além de influenciar autoridades, como juízes e desembargadores. A Polícia Civil aponta que, no total, ganhou R$ 130 mil.
A ligação de Santos com o PCC foi revelada em novembro do ano passado durante a Operação Ethos, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo. Essa investigação descobriu que, nos últimos anos, a facção criminosa criou mais um braço em sua estrutura hierárquica para dar suporte a seus negócios no narcotráfico: a célula R, ou Sintonia das Gravatas, formada essencialmente por advogados. Por circular livremente pelos presídios, eles funcionavam como canal de comunicação entre as lideranças da facção encarceradas e os membros soltos. Além da defesa jurídica dos criminosos, eles eram encarregados de pagar propina a autoridades e se infiltrar em órgãos de direitos humanos. Em dezembro passado, a Polícia Civil de Presidente Venceslau pediu a prisão de 54 advogados. A sentença de hoje condenou quatro deles.
A ideia de aliciar Santos, do Condepe, foi de Valdeci Francisco Costa, o criador da célula R. Bacharel em Direito, Costa passou quase dez anos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Saiu em 2015 com a missão de idealizar a estrutura de conexão do PCC com o mundo jurídico. Santos respondia diretamente para Costa: enviava relatórios semanais com os encaminhamentos a denúncias formuladas por presos da facção contra a polícia, em sua maioria falsas. Os textos eram repassados via Telegram, um aplicativo de troca de mensagens mais seguro do que o concorrente, o WhatsApp. Segundo Santos, a intenção do grupo era que ele fizesse uma denúncia à Corte Interamericana de Direitos Humanos, da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre a má qualidade da alimentação servida no sistema penitenciário paulista.
Santos foi cooptado por dois dos advogados denunciados pelo Ministério Público: Vanila e Davi Gonçalves. Em seu depoimento, afirmou que ambos pediam insistentemente a ajuda dele para integrar o Condepe. Santos recusou, mas ofereceu em troca carteiras falsas que os identificariam como integrantes do conselho. Com eles, e em nome do Condepe, Santos chegou a organizar manifestações nas cidades de São Paulo e Praia Grande. Acabaram pegos antes. Assim que foi descoberto, Santos foi afastado do órgão, vinculado à Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo. Está preso desde novembro na Penitenciária I de Presidente Venceslau.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A juventude e a militância esquerdista.

Um fenômeno recente na internet brasileira são as piadas com as mudanças que os jovens sofrem após entrarem na universidade. A página de Facebook “Antes e depois da Federal”, recorrentemente deletada pela administração da rede social, em sua maior dimensão teve quase 300 mil seguidores e retrata casos que beiram quase a insanidade, em que adolescentes aparentemente normais e bem integrados se tornam figuras estranhas, caricatas ou simplesmente bizarras ao entrar em contato com o mundo da militância esquerdista nas universidades públicas brasileiras.
Esse fenômeno das mudanças radicais dos jovens nas universidades não é exclusivamente brasileiro. Embora as piadas tenham sido uma invenção legitimamente tupiniquim, rapidamente o fenômeno se alastrou nos Estados Unidos e na Inglaterra, à medida que as eleições desses países mostraram uma presença significativa de jovens de aparência, sexualidade e ideias confusas se manifestando como militantes radicais de esquerda.
Esses jovens, pejorativamente apelidados de “guerreiros da justiça social” (Social Justice Warriors, no jargão da língua inglesa), se tornaram notórios pela defesa de ideias extremistas no âmbito da esquerda, negando não apenas os valores da sociedade, mas até mesmo a realidade objetiva, alegando ser esse um esforço para tornar a sociedade “mais justa”.
Mais recentemente, eles se destacaram por cometer ações violentas contra oradores e palestrantes pró-Trump em universidades nos Estados Unidos, e pelo seu apoio massivo à candidatura do radical socialista Jeremy Corbyn nas eleições britânicas – um candidato notório por defender a imigração desenfreada de muçulmanos radicalizados religiosamente provenientes de zonas de conflito, uma ressindicalização dos ambientes de trabalho britânicos que levaria a Inglaterra de volta para os anos 1970, e pesados aumentos de impostos sobre a maioria da população britânica para bancar tudo isso.
“O socialismo dá aos jovens a ideia de que eles podem continuar sendo tutelados por alguém – agora, o Estado – que os protegerá das decisões difíceis e das adversidades da vida”
Mas o que explica essa relação tóxica dos jovens com o socialismo? Simples: a hegemonia da esquerda não só nos meios de imprensa, mas também nos meios educacionais em que essa hegemonia é tamanha que não é anormal um estudante passar por todo o processo desde a educação básica até as universidades sem nunca sequer ter tido contato com qualquer professor que não fosse abertamente um defensor do socialismo.
No caso britânico, em que a imprensa é pesadamente regulada e controlada pelo governo e em que as escolas institucionalmente utilizam livros didáticos que promovem uma agenda politicamente correta, essa situação torna-se ainda mais agravada. E isso, é claro, tem seus reflexos eleitorais.
Os Millennials, como são conhecidos aqueles nascidos entre 1985 e 1995, são fruto de duas décadas de uma criação em que os valores ensinados não são aqueles de seus pais, mas aqueles de seus professores e de suas escolas. Cabe lembrar que é justamente essa geração a que teve o menor contato com a própria família, muitas vezes sendo chamada de “Daycare generation” (“Geração da Creche”) por ter sido, nos EUA, uma geração cujos pais massivamente colocavam seus filhos em creches desde muito cedo na infância, assim reduzindo muito o contato deles com seus pais.
É uma geração que, majoritariamente, cresceu insulada dos seus próprios pais e de quaisquer valores que não fossem aqueles de uma instituição dedicada a “cuidar” deles e “fornecer” aquilo que eles “precisavam”. No começo de suas vidas, essa instituição era a creche, que cuidava deles e fornecia alimento. Ao avançarem para a adolescência, essa instituição passou a ser a escola e a universidade – e hoje, nos Estados Unidos, as universidades cada vez mais se parecem com creches do que propriamente com instituições de ensino, tornando-se muitas vezes infames por práticas como a criação de safe spaces (basicamente, um local onde o jovem adulto se refugiaria para estar seguro contra coisas que pudessem lhe ofender – como opiniões diferentes da dele ou desafios que a vida pudesse lhe propiciar) ou de manuais de conduta regulando o que os estudantes poderiam ou não falar com seus colegas.
Não é estranho e nem anormal pensar que essa geração que cresceu sob a eterna vigilância e “cuidado” de uma autoridade incutiu tais valores, e hoje se vê dependente dessa figura do “cuidador”. É nisso que o socialismo se torna tão atraente para esses jovens. Quando um jovem americano ou britânico vota em um socialista como Bernie Sanders ou Jeremy Corbyn, ele não está apenas fazendo uma opção política. Ele está buscando aquilo que durante toda a sua vida ele teve e que agora, na fase adulta, lhe foi tirado abruptamente: um cuidador. O socialismo fornece isso para essas pessoas. Ele dá a esses jovens a ideia de que eles podem continuar sendo tutelados por alguém – agora, o Estado – que, então, os protegerá das decisões difíceis e das adversidades da vida.
Quando esse jovem vota na esquerda, ele quer um Estado que o proteja das “opiniões malvadas” daqueles que discordam dele. Ele quer um Estado que o proteja dos “patrões exploradores” que insistem que não existe o almoço grátis que eles antes ganhavam na cantina da escola. Ele quer um Estado que garanta que, se ele adoecer, haverá um médico que lhe atenda de graça e lhe faça lembrar da enfermeira da escola que lhe atendia quando ele se machucava no parquinho. Ele quer, em suma, alguém para nutrir a figura paterna que eles não tiveram, e que durante toda a sua juventude sempre foi substituída por uma organização parecida com a do Estado. E, como solução mágica para esse problema, a esquerda lhes oferece o que eles mais desejam: um Estado-babá.


*Por Rodrigo Neves, bacharel em História e em Gestão de Políticas Públicas pela Universidade de São Paulo.