sexta-feira, 29 de maio de 2015

Lobão, o Senador de ouro de Dilma, opera muito dinheiro ilícito em Cayman.

Lobão é suspeito de ser sócio oculto de holding em Cayman.

Ex-ministro de Minas e Energia, senador é alvo de inquérito que investiga se ele lavou dinheiro em negócios da Diamond Mountain.
BRASÍLIA – O senador e ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB-MA) é suspeito de ser sócio oculto de um grupo de empresas sediado nas Ilhas Cayman, conhecido paraíso fiscal caribenho. Um inquérito aberto na Justiça Federal em São Paulo foi encaminhado em fevereiro deste ano ao Supremo Tribunal Federal para apurar a eventual participação do senador na holding Diamond Mountain (em português, Montanha de Diamante), voltada, no Brasil, para a captação de recursos de fundos de pensão de estatais, fornecedores da Petrobrás e empresas privadas que recebem recursos de bancos públicos, como o BNDES, áreas de influência do PMDB.
Mensagens. Primeiro mostra proximidade; segundo traz uma recomendação do ministro.

lobão sócio oculto
Lobão, que comandou a pasta de Minas e Energia nos governos Lula (2008 a 2010) e Dilma (2011 a 2014), é investigado sob suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, conforme consta no inquérito encaminhado ao ministro Luiz Roberto Barroso. O ex-ministro também é alvo da Operação Lava Jato, sob suspeita de ter recebido propina do esquema de corrupção na Petrobrás, empresa vinculada à pasta de Minas e Energia.
O inquérito Diamond Mountain foi aberto a partir de declarações de um ex-sócio que se diz lesado por outros dirigentes do grupo. Aos investigadores ele contou que Lobão se associou à holding de forma oculta entre 2011 e 2012. O ex-ministro seria representado nas empresas pelo advogado maranhense Marcio Coutinho, que foi secretário de articulação política da campanha derrotada de Lobão Filho (PMDB) ao governo do Maranhão em 2014 e advoga para ele no Supremo.
Num dos depoimentos, o ex-dirigente da Diamond Mountain diz que Coutinho e seu colega de escritório, Vinícius Peixoto Gonçalves, tinham reuniões semanais com sócios do grupo em São Paulo para “acompanhar o negócio em nome do ministro Lobão.” A banca de Coutinho chegou a ter uma sala no mesmo prédio da Diamond.
A holding está registrada em Cayman e no Brasil em nome do advogado Marcos Costa e do empresário Luiz Alberto Meiches. Os dois são alvos de inquérito aberto em São Paulo que trata do mesmo assunto. No caso de Lobão, a investigação foi remetida ao Supremo porque, como senador, ele tem prerrogativa de foro.
Mensagens. No inquérito constam e-mails dos dois, nos quais citam reuniões com o então ministro em Brasília, em 2011, para tratar de negócios das empresas. Recebi uma ligação do ministro Lobão me pedindo para que eu me reúna com ele amanhã no ministério. (ele pediu para que eu fosse sozinho), disse em mensagem a funcionários da Diamond em 1º de junho de 2011.
Lobão nega participar da sociedade e diz desconhecer a investigação no Supremo. Ele confirmou ter recebido Costa e Coutinho uma única vez no ministério para tratar de “assuntos relacionados ao setor energético”. A audiência, contudo, não constou da agenda oficial.Os e-mails indicam, porém, que houve outros encontros.
Ex-funcionários da holding no Brasil disseram ao Estado, sob a condição de anonimato, que eram frequentes as conversas dos sócios com Lobão, quando ele ainda chefiava a área de energia do governo federal. No dia a dia do grupo, o então ministro era tratado por “Big Wolf” e “Tio”. O grupo Diamond também atua na compra e venda de empresas, operações de seguros e no mercado imobiliário.
A Diamond Mountain Cayman Holding tem cinco subsidiárias no Brasil, entre elas a Diamond Mountain Investimentos e Gestão de Recursos. A empresa é gestora de fundos de investimento e prospecta recursos de fornecedores da Petrobrás e entidades de previdência como Petros (Petrobrás), Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa) e Núcleos (Eletronuclear). O Postalis, de funcionários dos Correios, tem R$ 67,5 milhões no Fundo de Investimento em Participações Mezanino Diamond Mountain Marine Infraestrutura, gerido pela Diamond desde 2014. Lobão tem indicados em duas diretorias da entidade.
*POR: ANDREZA MATAIS, TALITA FERNANDES E FÁBIO FABRINI – O ESTADO DE S. PAULO.
COLABOROU MURILO RODRIGUES ALVES.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O herói desempregado.

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A esquerda caviar.

A PRAÇA É DO POVO, COMO O CÉU É DO CONDOR. OS PALÁCIOS SÃO DA ELITE, COMO O ESGOTO É DOS RATOS.

Uma entrevista da deputada estadual Manuela D'Avila (PCdoB-RS), à qual o site Brasil247 deu destaque pra lá de exagerado, exemplifica bem o mundo de fantasias em que vivem muitos militantes de esquerda.

Disse ela que "a proposta de emenda de [Eduardo] Cunha que permite o financiamento privado [das campanhas eleitorais] vai na contramão do que o povo quer, porque vai aprofundar o sistema político falho que temos hoje e não aperfeiçoar a democracia".

Se a Manuela saísse às ruas e ouvisse a voz real do povo, saberia que o financiamento das campanhas é a última das preocupações do homem comum. Agora que, por obra e graça de Dilma Rousseff e do seu superministro neoliberal, ficou tão difícil financiar o pão nosso de cada dia, quem vai se preocupar com os mecanismos das eleições?!
Ainda mais sendo eleições abastardadas como as nossas, nas quais candidatos se elegem com determinados posicionamentos políticos e, depois de empossados, jogam-nos no lixo e fazem exatamente o oposto, adotando as políticas que juravam repudiar e diziam serem intenções sinistras dos adversários...

Por isto tudo, é bem capaz de o povo estar chegando à conclusão de que pouco importa quais políticos eleja, pois mudanças de verdade só conquistará nas ruas. Torço para que a ficha lhe caia o quanto antes. A praça é do povo, como o céu é do condor. Os palácios são da elite, como o esgoto é dos ratos.

Este segundo mandato de Dilma está sendo a pá de cal na ilusão de que o mandato presidencial nos pudesse servir de alguma coisa. Não serve de absolutamente nada se não for utilizado para confrontar o poder econômico, o que nunca foi propósito do PT e da base aliada.

Ou se vai à luta como o Allende, com a coragem do Allende, ou se capitula como a Dilma, com a pusilanimidade da Dilma, que considera mais importante conservar-se no governo do que conservar seus ideais.
Não há meio termo entre estas duas posturas e a opção coerente e digna, infelizmente, é descartada pela grande maioria dos esquerdistas que atuam na política oficial. São pouquíssimos os que encaram mandatos como trincheiras da revolução. Os que se contentam em gerenciar o capitalismo para os capitalistas, fingindo mandar enquanto só obedecem, são quase todos.

Já deveríamos ter aprendido a lição com Jango. Alunos relapsos, a estamos recebendo de novo.
Com a agravante de que a tragédia se repete como farsa: para obterem o que queriam, desta vez os verdadeiramente poderosos nem sequer precisaram recorrer ao golpismo. A ameaça velada bastou.

*Recebido por e-mail, por 'waldo@infolink.com.br' [Grupo Resistência Democrática]

Prisões em massa no caso BNDES.

Após minuciosa investigação no BNDES, uma força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) pediu a prisão de mais de 60 suspeitos. O caso é tratado sob sigilo, mas, segundo fonte ligada às investigações, o MPF devassa operações do BNDES no Brasil e também no exterior, além dos aportes bilionários que o tornaram sócio de empresas. Os pedidos de prisão incluem executivos do banco e de grandes corporações.
Ainda não há estimativa dos desvios ocorridos no BNDES, mas representariam várias vezes os R$ 6,2 bilhões roubados da Petrobras.
A Justiça pode não atender os mais 60 pedidos, mas espera-se que muitas prisões sejam decretadas na investigação do BNDES.
O MPF esquadrinha os principais negócios realizados à sombra ou com recursos tomados pelo BNDES junto ao Tesouro Nacional.
Além de desvios, são objetos da investigação denúncias de tráfico de influência e de pagamentos indevidos a executivos e a políticos.
*Via site do Jornalista Claudio Humberto

Campanha Pela Moralidade Nacional.


MORALIDADE E POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO
O senso comum a respeito do ensino na sociedade moderna, repetido como dogma indiscutível por ministérios, ONGs, educadores e pais, é o de que a educação de crianças e jovens tem de ser universal. Com isso, todos querem dizer que acreditam existir um núcleo mínimo de valores e conhecimentos que devem ser compartilhados por toda a sociedade e passados de geração a geração através de instituições desenhadas especificamente com esse fim. Essa premissa se funda, por sua vez, numa outra, a de que, sem aquele núcleo mínimo, o tecido social será corroído desde dentro por indivíduos que instaurariam o caos e a desordem.
Ora, quem poderia ser contra essas premissas? O que pode haver de ruim em tentar manter um denominador comum de ordem e harmonia na sociedade? E de fazê-lo através, entre outros, do legado às próximas gerações daquilo que as anteriores aprovaram e confirmaram na prática? Como não concordar, por exemplo, que o crime é ruim e deve ser combatido com vigor, que os valores religiosos e familiares são a base para a formação dos valores cívicos, que é preciso respeitar o amadurecimento sexual das crianças em seu devido tempo, e que se deva nutrir, se não o amor pelo saber, ao menos o respeito por quem o conserva? Se esses são valores compartilhados pela grande maioria das pessoas, por que não disseminá-los também a partir da escola?
Mas é impossível o observador atento não perceber que nas últimas décadas caiba justamente à escola, mais que à televisão e à cultura em geral, o papel principal na destruição, nos corações e mentes das novas gerações, de tudo aquilo em que a população adulta acredita. Foi a partir de práticas pedagógicas abomináveis que se forjaram a justificação, se não a própria glamorização, do crime como forma de luta contra as “injustiças”, com os corolários óbvios da vitimização do criminoso, da disseminação do consumo de drogas e da subida ao poder do partido mais criminoso da história; ou então a destruição dos valores familiares e religiosos e a concomitante relativização dos valores cívicos; ou ainda a sexualização acelerada de crianças através de aulas de “educação sexual” em que crianças de 9 e 10 anos são ensinadas a se masturbarem e camisinhas são colocadas nas suas mãos; e, contra tudo o que se pudesse esperar de uma instituição de ensino, o total desprezo a qualquer forma de saber e de autoridade, com o concomitante desrespeito, quando não o ódio puro e simples, a seus portadores, acompanhado da elevação de verdadeiras deformidades aos postos de representantes da “alta cultura”.
O que vem dando errado, então? Como pode a instituição que fora projetada para servir de depósito e propagação dos valores compartilhados pela maioria voltar-se contra ela e passar a servir precisamente ao propósito contrário? Como é possível o espaço social construído justamente com o objetivo de preservar a moralidade ser sistematicamente empregado para destruí-la?
É que há pelo menos dois enganos na aceitação passiva daquelas premissas do primeiro parágrafo. O primeiro engano é o de que a elite dirigente e a população em geral têm o mesmo objetivo e que, portanto, as políticas públicas refletirão a vontade da maioria. Não importa se na escola pública ou privada, se no nível superior, secundário ou primário, o que se tem assistido na educação é a uma enxurrada de teses e comportamentos absurdos impostos goela abaixo dos filhos de uma população atordoada que, se entendesse o que está acontecendo e se pudesse intervir, ensinaria o contrário do que as escolas têm feito. Legalização de drogas, aborto, feminismo, casamento gay, racialismo e cotas, bolsa-bandido, desarmamento civil, aulas de “educação sexual”, agigantamento do estado, maioridade penal, substituição da religião tradicional por um panteísmo ecológico de quinta categoria – todo o cardápio, enfim, da elite politicamente correta- são temas nos quais a opinião majoritária da população é frontalmente desafiada pelo ensino atual. Em todos esses temas, a opinião da maioria da população é uma, mas invariavelmente o que seus filhos aprenderão na escola é o oposto.
O discurso da classe política, que se reflete integralmente nas faculdades de educação e, portanto, na formação dos professores, é o de que a “sociedade precisa avançar nas questões atuais”. Mas o que isso efetivamente significa na prática é que eles vão, a contragosto da população a quem têm a obrigação de servir, substituir todo o conjunto de valores tradicionais por uma pasta mental incapacitante planejada milimetricamente para deprimir a inteligência. A população rejeita qualquer um desses “avanços”, dando mostras claras disso em qualquer enquete. Mas governos e ONGs usam seu poder para impor às novas gerações valores e pensamentos em total discordância com as anteriores. No julgamento dos luminares da classe dirigente, o povo, tal como está, não serve, é muito “conservador” e precisa dos “avanços” ditados pela elite iluminada. Na nova democracia do politicamente correto não é mais o povo que escolhe o governante, é o governante que escolhe o povo.
O segundo engano consiste em acreditar que, se os valores tradicionais e a ordem vigente forem derrubados, reinarão na sociedade o caos e a desordem. Mas o caos não existe. E muito menos ainda está nos planos da classe dirigente instaurá-lo. O que temos testemunhado é a meticulosa substituição de um tipo de ordem por outro: em lugar da ordem tradicional, a ordem dos psicopatas e seus seguidores histéricos (http://www.olavodecarvalho.org/semana/131118dc.html). O que dá à população desavisada a impressão de ser um estado de caos é, na verdade, um passo adiantado na transição para a nova ordem.
Pouco importa que para a população adulta os temas e as vontades absurdas das classes dirigentes nos cheguem como propostas a serem debatidas “democraticamente” pela “sociedade civil”, porque, através de toda a rede de ensino e cultura, elas já estão sendo impostas ditatorialmente sobre as novas gerações e implementadas com a precisão de um projeto de engenharia. A nova ordem é gestada desde dentro da antiga. A revolução não precisa de um motor externo, é só fazer a máquina já existente trabalhar para o propósito oposto.
As práticas pedagógicas mais eficazes nesse processo de mutação social são os badalados “socioconstrutivismo” de Lev Vygotsky e a “educação para a crítica” de Henry Giroux, inspirada, entre outros, na “teoria crítica” dos intelectuais da Escola de Frankfurt e na “pedagogia do oprimido” de Paulo Freire, o maior produtor de analfabetos funcionais com diplomas universitários do universo. O slogan é o de que, ao invés de simplesmente expor o conteúdo de uma matéria para que os jovens a absorvam “apenas de modo passivo e monótono”, supostamente agora os faremos refletir “criticamente” acerca das origens e conseqüências sociais, políticas, ideológicas e psicológicas daquele conhecimento novo. A “crítica” levaria então à “construção social” do conhecimento na mente do jovem, supostamente com interferência mínima por parte do professor.
Ora, o garoto acabou de receber uma informação pela primeira vez, mal guardou os nomes dos conceitos e fatos e porcamente conseguiu estabelecer as relações requeridas para o correto entendimento do assunto, e já se espera que ele faça uma “abordagem crítica” daquela massa de dados. É óbvio que isso é impossível.
E nem é esse o intuito. O que esse estímulo à crítica vazia cria na mente dos alunos é ansiedade e um impulso histérico de debater por debater, de falar do que não entende nem estudou, de não ouvir o contraditório porque “cada um tem sua opinião”, e de agradar o professor e tentar adivinhar qual a opinião dele para terminar logo a aula sem levar nota baixa. É então que se perfaz o verdadeiro objetivo, não declarado mas óbvio, da “pedagogia crítica”: os alunos passam a aceitar passivamente a opinião do professor, ou como um dogma infalível acima de qualquer crítica(!), ou, pelo menos, como uma opinião que deva ser discutida em si, por mais absurda e contrária aos fatos que seja. E a perversão maior é que o aluno ainda sai com a ilusão, forjada pela condução socioconstrutivista da aula, de que é ele quem está pensando.
O resultado todo mundo conhece: seu filho sai da escola sem saber colocar uma crase nem fazer contas com decimais, mas com a plena convicção de que o socialismo é bom e de que, não somente o aquecimento global é um fato “científico”, como a culpa ainda é do George W. Bush.
O objetivo da nova educação não é necessariamente persuadir racionalmente ninguém de nenhum daqueles pontos de vista, mas dissuadir a todos da idéia de que exista a possibilidade de uma arbitragem racional a respeito. Afinal, a quem pode interessar criar um ambiente em que se coloca absolutamente tudo em discussão “crítica”, senão àqueles que já sabem de antemão que vão propor o indefensável racionalmente? É impossível não perceber que as tais “críticas” são sempre dirigidas às coisas menos criticáveis. Os alvos de sempre são o capitalismo (nunca o socialismo), os Estados Unidos (nunca a URSS ou a China), a direita (nunca a esquerda), a Igreja Católica e as religiões em geral (nunca o ateísmo organizado), o Estado de Israel (nunca o terrorismo palestino), a família tradicional (nunca o “poliamor”), o tabaco e o álcool (nunca a cocaína e a maconha), a ditadura e as Forças Armadas brasileiras (nunca as cubanas), e por aí vai. Críticas ao melhor, sempre; ao pior, nunca.
A meta é acostumar a platéia ao absurdo, legitimar debates entre um ponto de vista razoável e outro quase sempre insano no qual nem mesmo seus defensores acreditam. O que para uma geração é totalmente inconcebível, a seguinte já discute com ares de seriedade socrática. Exagero? Aguarde: discussões sobre pedofilia, zoofilia e casamento entre N pessoas já estão na ordem do dia. A próxima geração vai discutir histericamente essas novas “propostas” e considerar a existência mesma da discussão um enorme “avanço democrático”.
Bella Dodd, uma professora americana, que no livro The School of Darkness (Devin-Adair Pub, 1963) fez uma autocrítica maravilhosa de seus anos de comunismo na juventude, demorou para entender aquilo que, vez após vez, lhe diziam os dirigentes do partido: “Toda derrota é uma vitória.” Sempre que uma elite de psicopatas consegue impor uma discussão séria em torno de uma proposta absurda, esta sair vencedora é o que menos importa, porque o objetivo principal é criar uma militância histérica que finja acreditar nela e manter o adversário ocupado em debater civilizadamente uma proposta cínica. A frase mais repetida pelo establishment esquerdista é: “A sociedade precisa discutir esse tema”.
A ambição dos luminares da “educação universal” era a de produzir milhões de cidadãozinhos bem comportados da nova ordem mundial, um tipo de ser que aceitasse polidamente as discussões políticas mais absurdas ao mesmo tempo em que, pelo menos nas áreas mais técnicas, um mínimo de racionalidade e competência fosse reservado para a manutenção mais ou menos equilibrada da economia. Em suma, a produção de milhões de tucanos. Mas é óbvio que, quando baixa o nível geral de inteligência, é impossível resguardar qualquer domínio que seja. O resultado é a pífia qualificação técnica de engenheiros, economistas, administradores, médicos e advogados, comprovada ano após ano nos mais variados testes nacionais e internacionais de conhecimento.
A equiparação do grotesco ao belo dentro do próprio ensino só poderia mesmo produzir essa incapacidade intelectual geral das últimas três gerações. Uma vez iniciado o processo deliberado de estupidificação dos jovens, não há freio que o segure: o mesmo rebaixamento que testemunhei em sala de aula na minha geração, em que se substituía Chico Buarque a Camões, e que nos anos 90 levou a hermenêuticas seríssimas sobre as letras das músicas de Gabriel Pensador, culminou, nos últimos anos, com enxurradas de teses universitárias sobre o Racionais MC e funkeiros de todo tipo.
Fundo do poço? E se tiver gente cavando mais fundo? Max Horkheimer, diretor da Escola de Frankfurt por décadas e seu principal teórico, rejeitou a inclusão de um novo associado baseado em que lhe faltava “o olhar aguçado pelo ódio a tudo o que está no lugar” (Rolf Wiggershaus, A escola de Frankfurt. História, desenvolvimento teórico, significação política. DIFEL, 2002). A cultura moderna é uma declaração de guerra permanente contra “tudo que está no lugar”, é uma aposta insana de que sexo, drogas e rock’n’roll redimirão o mundo e que o “mundo melhor” virá pelas mãos das piores pessoas.
Não espanta que, com o imaginário construído pela educação e pela cultura modernas, e não suportando o peso da responsabilidade pessoal pela condução de suas próprias vidas, milhões de pessoas permaneçam décadas a fio naquele estado de adolescência eterna onde até mesmo os protestos aos quais recorrem “contra o sistema” são postiços porque os canais de rebeldia estão todos instrumentalizados pela classe dirigente.
O único conselho que se pode dar é aquele do Pe. Paulo Ricardo quando perguntado sobre o que a Igreja esperava dos jovens de hoje: “Que se tornem adultos”!

*Raphael De Paola é Doutor em Teoria Quântica de Campos e leciona no Departamento de Física da PUC.

Uma bela imagem de Maria, mãe Jesus.


Derrota da esquerda: Cunha vence, Câmara reverte decisão estúpida tomada na terça e vota a favor da constitucionalização das doações de empresas.


A Câmara aprovou, por 330 votos a 141, a constitucionalização da contribuição de empresas privadas a campanhas eleitorais. O resultado reverte a decisão absurda tomada nesta terça. 

Vamos lá. 
Por Reinaldo Azevedo

Durou pouco a festa dos que estavam comemorando “a derrota” de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara. Eu mesmo apanhei bastante de alguns leitores porque, num post de ontem, afirmei que Cunha havia logrado também uma vitória: ter dado início à votação da reforma política. 

Nesta terça, como escrevi aqui, a Câmara havia tomado uma decisão estúpida, que empurrava o sistema político para a clandestinidade e o deixava à mercê de máfias. 

Por quê?

Não se obtiveram os 308 votos necessários para constitucionalizar a doação de empresas privadas. Foram apenas 266. Maioria, sim, mas insuficiente. Ora, sem isso, ficaria valendo então a opinião da maioria do Supremo, contrária a esse tipo de doação.

É mesmo? 

Então quem financiaria? 

Chamei a decisão de absurda porque o “não” à contribuição das empresas implicava o financiamento público de campanha, automaticamente. Se o dinheiro não sai do setor privado, terá de sair do estado. Eventuais doações de pessoas físicas não dariam conta do custo. Pior de tudo: o caixa dois comeria solto. 

De tal sorte a decisão de terça tinha sido cretina que, numa votação nesta quarta, a Câmara rejeitou também a constitucionalização do financiamento público. Nesse caso, não é que a proposta não tenha atingido os 308 votos necessários para mudar a Constituição; ela foi amplamente rejeitada: apenas 163 votos a favor, contra 240.

Notaram a barbaridade? 

Nem financiamento público nem financiamento privado.

É? 

E quem arrumaria o dinheiro? 

O Espírito Santo? 

Alguém poderia objetar: “Ah, mas isso não é matéria para estar na Constituição; nem uma coisa nem outra!” É mesmo? E por que a questão está hoje sendo decidida num tribunal constitucional? Não foi a OAB quem patrocinou uma Ação Direita de Inconstitucionalidade no Supremo, alegando que o financiamento de empresas agredia a isonomia e tornava a eleição passível da influência do poder econômico? Então que se mude a Constituição, Ora, quando mais não seja para que o tribunal se sinta contemplado. 

A verdade é que, de fato, isso tudo seria desnecessário se o Supremo reconhecesse que não lhe cabe legislar sobre eleições — e é o que ele está fazendo, sob o absurdo patrocínio da OAB. Afinal, o Congresso já expressou a sua vontade: está clara na Lei 9.504, que permite o financiamento de empresas. Fosse o caso de mudar, alguém já teria proposto e aprovado lei com outro conteúdo. 

Muito bem! O texto que foi rejeitado ontem permitia o financiamento de empresas e de pessoas físicas a partidos e candidatos tomados individualmente. Hoje, a emenda aglutinativa aprovada tem conteúdo diferente: constitucionaliza os financiamentos público (por intermédio do fundo partidário) e privado, com doações de pessoas físicas e jurídicas. Segundo o texto aprovado, no entanto, as contribuições poderão ser feitas apenas aos partidos, não aos candidatos. 

Não vejo motivos para a especificação — até porque é muito fácil burlá-la. Não vejo por que instituir uma restrição que, na prática, não será observada. E que se note: Cunha não recorreu a manobra regimental nenhuma. Se querem chamar de manobra política, vá lá. O fato é que o texto aprovado nesta quarta não tinha sido ainda submetido ao plenário. Logo, é mentira que tenha votado de novo o que já tinha sido rejeitado. 

O resultado foi muito eloquente, reitero: 330 optaram pela constitucionalização das doações de empresas. Os 141 que votaram contra, quero crer, gostariam de cortar verbas dos investimentos, da saúde, da educação, da infraestrutura etc, para transferi-las para as campanhas. Ou é isso ou queriam, então, se entregar às máfias do caixa dois. 

Se Cunha foi derrotado na terça, então ele saiu vitorioso na quarta. E, nesse caso, o país ganhou com ele. 

E não posso encerrar sem esta nota: o partido mais entusiasmado com o financiamento público era o PT, justamente a legenda que caiu de boca no mensalão e no petrolão. E que, em 2013, ano não-eleitoral, arrecadou R$ 79 milhões junto a empresas privadas. Com quais argumentos? A evidência da anormalidade está no fato de que PSDB, PMDB e PSB arrecadaram, juntos, R$ 46,5 milhões. E é essa gente que vem falar contra doações privadas? Outros que também queriam, com muita energia, proibir a doação de empresas eram os representantes do PC do B, aquele partido que foi flagrado num conúbio incestuoso com ONGs que atuavam no Esporte. 

Sempre que Jandira Feghali fala com tanta ênfase em defesa da moral e dos bons costumes, o meu alarme contra as transgressões à moral e aos bons costumes dispara. 

Nota final – A PEC da reforma política tem de ser aprovada por três quintos de deputados (308) e senadores (49), em duas votações em cada Casa. O Senado pode, se quiser, mudar o texto da Câmara (desde que a questão volte a ser examinada por essa Casa) e restituir a contribuição também a candidatos. 
                    *Por Reinaldo Azevedo 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

'Falta cultura política aos meninos da marcha', diz jurista Miguel Reale Junior.








 
Autor da petição de ação penal contra a presidente Dilma Rousseff que os partidos de oposição protocolam nesta terça-feira, 26, na Procuradoria-Geral da República, o jurista Miguel Reale Junior, ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, diz que o PSDB já tem pronto um parecer jurídico justificando o pedido de impeachment, mas ele não será usado agora.
Isso seria, segundo ele, desperdiçar "a bala de prata". Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Reale Junior, que foi um dos signatários do parecer pedindo o impedimento do ex-presidente Fernando Collor, diz que os ativistas do Movimento Brasil Livre que criticam a iniciativa não têm "informação e cultura política".


"Os meninos da marcha têm que entender: não é porque fizeram diferente do que eles queriam que virou um traidor da pátria", disse, numa menção a Aécio Neves. "Há uma falta de informação e cultura política. O caminho da representação, que é mais seguro e está muito bem fundamentado, leva o procurador (geral da República, Rodrigo Janot) a ter que tomar uma medida.


O jurista apresentou na semana passada um parecer recomendando que a legenda desista de pedir no Congresso Nacional a abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A estratégia apresentada pelo jurista, que foi ministro da Justiça do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é entrar com um pedido de ação penal contra a presidente no Ministério Público Federal pelas pedaladas fiscais, manobra que consiste em atrasar repasses do Tesouro Nacional aos bancos federais para o pagamento de benefícios sociais. 



O parecer tentará demonstrar que a manobra contaminou a atual gestão. O documento foi debatido hoje em uma reunião em Brasília com os senadores Aloysio Nunes Ferreira (SP), Cássio Cunha Lima (PB), líder do PSDB no Senado, e os deputados Carlos Sampaio (SP), líder do PSDB na Câmara, e Bruno Araújo (PE), líder da minoria. O PSDB submeterá o parecer aos presidentes do partidos de oposição em uma reunião na manhã desta quinta-feira, 21, no gabinete de Aécio no Senado.

A opção escolhida pelo PSDB frustrou a bancada do partido na Câmara, que pressionava a legenda por um pedido direto no Congresso. Essa tese perdeu força depois que o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sinalizou que arquivaria o pedido. 

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse, em entrevista ao jornal britânico Financial Times, que o atual sistema político do Brasil está quebrado e defendeu uma reforma política para restaurar a credibilidade do País. Na entrevista, Fernando Henrique identificou falta de interesse e descrença da população na política, que ele creditou aos "muitos erros que vêm ocorrendo nos últimos anos". 

Sistema político 'quebrado'

Na visão do ex-presidente, o sistema político brasileiro está sendo, na prática, uma mistura de parlamentarismo e presidencialismo - embora, em tese, Executivo e Legislativo sejam independentes, o Executivo tem que nomear ministros de aliados no Congresso para evitar uma paralisia do sistema. 

Para evitar que isso aconteça, o sociólogo disse que apoia a proposta do senador José Serra (PSDB-SP) de introduzir eleições majoritárias no Legislativo já para as próximas votações para vereador, em contraste com o atual sistema de voto proporcional. 

A medida seria, na visão de FHC, um primeiro passo para uma reforma política em nível nacional e evitaria fenômenos como os puxadores de voto, quando candidatos mais votados acabam elegendo outros que não tiveram votação expressiva. "Vamos testar se, pelo menos a nível local, é possível tentar outro sistema eleitoral. Se for tudo bem, ampliamos para outros níveis", declarou.

O presidente disse também que entre os maiores sinais de que o atual sistema brasileiro está em crise estão a baixa popularidade da presidente Dilma Rousseff e os pedidos de impeachment de seu mandato apenas seis meses depois das eleições presidenciais. Apesar da crise do PT, Fernando Henrique Cardoso acredita que o ex-presidente Lula (PT) concorrerá novamente à presidência em 2018. "O PT não tem outra alternativa a não ser o Lula", disse. 

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) avalia que a decisão do PSDB de optar por um pedido de ação penal contra a presidente Dilma Rousseff pelas pedaladas fiscais (manobra que consiste em atrasar repasses do Tesouro Nacional aos bancos federais para o pagamento de benefícios sociais) em vez de pedir o impeachment no Congresso Nacional é o caminho "mais adequado".
                   *Por Pedro Venceslau, no Estadão

Quando a polícia age corretamente.

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Se a polícia pudesse agir sempre assim, quanto não diminuiria a criminalidade no Brasil?

Pontifício conselho para as comunicações sociais.


INTRODUÇÃO
1. Ao longo destes últimos anos houve uma revolução mundial no modo de perceber os valores morais, seguida de mudanças profundas na maneira de pensar e de agir das pessoas. Os meios de comunicação social tiveram e continuam a ter importante papel neste processo de transformação individual e social, na medida em que introduzem e refletem novas atitudes e estilos de vida. (l)


2. Algumas destas mudanças foram positivas. Hoje, como afirmou recentemente o Papa João Paulo II, "a primeira nota positiva consiste em que muitos homens e mulheres têm plena consciência de sua dignidade e da de todo ser humano ... Ao mesmo tempo em um mundo dividido e trastornado por conflitos de todo tipo, vai crescendo a convicção de uma interdependência radical e, por conseguinte, a necessidade de uma solidariedade que a assuma e traduza no plano moral". (2) As comunicações sociais têm contribuído muito para que aconteçam estas mudanças.



3. Muitas destas mudanças, porém, têm sido negativas. Ao lado dos abusos de sempre, estão-se dando novas violações da dignidade humana e dos valores e ideais cristãos. Aqui também as comunicações sociais têm sua parte de responsabilidade.



4. Embora seja certo que estes meios - como afirma o Concílio Vaticano II - "prestam grandes serviços ao gênero humano", o é igualmente que "podem ser utilizados contra os desígnios do Criador e convertidos em instrumentos do mal". (3)



5. Um dos fenômenos alarmantes destes anos tem sido a crescente difusão da pornografia e a generalização da violência nos meios de comunicação social. Livros e revistas, cinema e teatro, televisão e videocassetes, espaços publicitários e as próprias telecomunicações, mostram freqüentemente comportamentos violentos ou de sexualidade permissiva que quase chegam ao umbral da pornografia e que são moralmente inaceitáveis.



6. A pornografia e a exaltação da violência são velhas realidades da condição humana que evidenciam a componente mais torpe da natureza humana decaída pelo pecado. Durante o último quarto de século adquiriram uma amplitude nova e passaram a constituir um sério problema social. Enquanto cresce a confusão a respeito das normas morais, as comunicações tornaram a pornografia e a violência acessíveis ao grande público, inclusive crianças e jovens. Este problema, que antes permanecia confinado ao ambito dos países ricos, começou, com a comunicação moderna, a corromper os valores morais das nações em desenvolvimento.



7. Os meios de comunicaç*ao social podem ao mesmo tempo ser eficazes instrumentos de unidade e de compreensão mútua e veículos de uma visão deformada da vida, da família, da religião e da moralidade - segundo uma interpretação que não respeita a auténtica dignidade nem o destino da pessoa humana -. (4) Em particular, os responsáveis familiares de muitas regiões do mundo têm expressado uma compreensível preocupação a respeito dos filmes, videocassetes e programas de televisão que seus filhos estão em condições de ver, bem como gravações que podem ouvir e publicações que podem ler. E se negam a que os valores morais inculcados no lar sejam destruídos por produções repreensíveis em todos os lugares muitas vezes graças a estes meios.



8. Trata-se de ilustrar neste documento os efeitos mais graves da pornografia e da violência sobre o indivíduo e sobre a sociedade bem como assinalar as causas principais do problema tal como hoje se apresenta. Por último, tratar-se-á de indicar os passos necessários que devem dar os comunicadores profissionais, os pais e educadores, a juventude e o público em geral, as autoridades civis e eclesiásticas, as organizações privadas e religiosas, para aplicar o remédio necessário.

EFEITOS DA PORNOGRAFIA E DA VIOLÊNCIA

9. A experiência quotidiana confirma os estudos realizados no mundo inteiro acerca das consequências negativas da pornografia e das cenas de violência que os meios de comunicação social transmitem. (5) Entende-se por pornografia, neste contexto, a violação, por meio do uso de técnicas audio-visuais, do direito à privacidade do corpo humano em sua natureza masculina e feminina, violação que reduz a pessoa humana e o corpo humano a um objeto anônimo destinado a uma má utilização com a intenção de obter gratificação concupiscente. A violência, neste contexto, pode ser entendida como a apresentação destinada a excitar os instintos humanos fundamentais para atos contrários à dignidade da pessoa, e que descreve a força física intensa exercida de maneira profundamente ofensiva e amiúde passional. Os especialistas às vezes não estão de acordo sobre o impacto deste fenômeno e sobre o modo em que afeta os indivíduos e os grupos atingidos pelo mesmo, mas as linhas mestras da questão aparecem claras, límpidas e inquietantes.


10. Ninguém pode considerar-se imune aos efeitos degradantes da pornografia e da violência, ou a salvo da erosão causada pelos que atuam sob sua influência. As crianças e os jovens são especialmente vulneráveis e expostos a serem vítimas. A pornografia e a violência sádica depreciam a sexualidade, pervertem as relações humanas, exploram os indivíduos -especialmente as mulheres e as crianças -, destroem o matrimônio e a vida familiar, inspiram atitudes anti-sociais e debilitam a fibra moral da sociedade.



11. É evidente que um dos efeitos da pornografia é o pecado. A participação voluntária na produção e na difusão destes produtos nocivos deve ser considerada como um sério mal moral. Além disso, esta produção e difusão não poderiam ter lugar, se não existisse uma demanda. Assim pois, os que fazem uso destes produtos não só se prejudicam a si mesmos, mas também contribuem para a promoção de um comércio nefasto.



12. Uma freqüente exposição das crianças à violência nas comunicações sociais pode resultar perturbadora para elas, uma vez que são incapazes de distinguir claramente a fantasia da realidade.



Num estágio mais avançado, a violência sádica nestes meios pode condicionar as pessoas impressionáveis, sobretudo os jovens, ao ponto de chegarem a considerá-la normal, aceitável e digna de ser imitada.



13. Tem-se dito que pode haver uma vinculação psicológica entre a pornografia e a violência sádica. Uma certa pornografia já é abertamente violenta em seu conteúdo e expressão. Os que vêem, escutam ou lêem um material assim, correm o risco de introduzí-lo no seu próprio comportamento. Acabam perdendo o respeito para com os demais, como filhos de Deus e irmãos da mesma família humana. Uma vinculação tal entre pornografia e violência sádica tem particulares implicações para as pessoas afetadas por certas enfermidades mentais.



14. Também a chamada pornografia leve ('soft core') pode paralizar progressivamente a sensibilidade, afogando gradativamente o sentido moral dos indivíduos até ao ponto de torná-los moralmente e pessoalmente indiferentes aos direitos e à dignidade dos demais.



A pornografia - como a droga - pode criar dependência e move à busca de material cada vez mais excitante ('hard core') e perverso. A probabilidade de adotar comportamentos anti-sociais crescerá à medida em que este processo prossegue.



15. A pornografia favorece insalubres preocupações nos terrenos da imaginação e do comportamento. Pode interferir no desenvolvimento moral da pessoa e no amadurecimento das relações humanas sãs e adultas, especialmente no matrimônio e na família, que exigem confiança recíproca e atitudes e intenções de explícita integridade moral.



16. A pornografia, além disso, questiona o caráter familiar da sexualidade humana autêntica. Na medida em que se considere a sexualidade como uma busca frenética do prazer individual, mais do que uma expressão perdurável do amor no matrimônio, a pornografia aparecerá como um fator capaz de minar a vida familiar em sua totalidade.



17. No pior dos casos, a pornografia pode atuar como agente de incitação e reforço, um cúmplice indireto, em agressões sexuais graves e perigosas, tais como a pedofilia, os seqüestros e assassinatos.



18. Uma das consequências fundamentais da pornografia e da violência é o menosprezo dos demais, ao considerá-los como objetos em vez de pessoas. A pornografia e a violência suprimem a ternura e a compaixão para deixar seu espaço à indiferença, quando não à brutalidade.

CAUSAS DO PROBLEMA

19. Um dos motivos básicos da difusão da pornografia e da violência sádica no ámbito dos meios de comunicação parece ser a propagação de uma moral permissiva, baseada na busca da satisfação individual a todo custo. Um nihilismo moral da desesperação se ajunta a isso, que acaba fazendo do prazer a única felicidade acessível à pessoa humana.


20. Um certo número de causas mais imediatas contribuem ulteriormente para a escalada da pornografia e da violência nos "media". Entre estas cabe citar:



- O benefício econômico. A pornografia é uma indústria lucrativa. Alguns setores da indústria das comunicações sucumbiram tragicamente à tentação de explorar a debilidade humana, especialmente a dos jovens e a das mentes impressionáveis, para obter proveito de produções pornográficas e violentas. Esta indústria pornográfica é às vezes tão lucrativa que ela, em algumas sociedades, faz parte do crime organizado.



- Falsos argumentos libertários. A liberdade de expressão exige, conforme alguns, uma tolerância para com a pornografia, mesmo ao preço da saúde moral dos jovens e do direito à intimidade, assim como a um ambiente de pública decência. Alguns, também erroneamente, afirmam que o melhor meio para combater a pornografia consiste em legalizá-la. Estes argumentos são às vezes propostos por grupos minoritários que não representam os critérios morais da maioria e que se esquecem de que a cada direito corresponde uma responsabilidade. O direito à liberdade de expressão não é absoluto. A responsabilidade pública de promover o bem moral dos jovens, de garantir o respeito às mulheres e a proteção da vida privada e da decência pública mostra claramente que a liberdade não pode equiparar-se à libertinagem.



- A ausência de leis cuidadosamente preparadas ou a sua não aplicação, para a proteção do bem comum, em particular da moralidade dos jovens.



- Confusão e apatia por parte de muitos, inclusive de membros da comunidade religiosa, que se consideram erroneamente a si mesmos estranhos à problemática da pornografia e da violência nos "media", ou sem possibilidades de contribuir para a solução do problema.

RESPOSTAS AO PROBLEMA

21. A propagação da pornografia e da violência através dos meios de comunicação social é uma ofensa aos indivíduos e à sociedade e coloca um problema urgente que exige respostas realistas por parte das pessoas e dos grupos. O legítimo direito à liberdade de expressão e ao intercambio livre de informação deve ser protegido. Ao mesmo tempo, deve-se salvaguardar o direito dos indivíduos, das famílias e da sociedade à vida privada, à decência pública e à proteção dos valores essenciais da vida.


22. Far-se-á referência a sete setores com especiais deveres na matéria: profissionais da comunicação, pais, educadores, juventude, público em geral, autoridades públicas e Igreja e grupos religiosos.



23 . Pofissionais da comunicação. Seria desleal sugerir que todos os meios e todos os comunicadores estão implicados neste negócio nocivo. São muitos os comunicadores que se distinguem por suas qualidades pessoais e profissionais. Tratam de assumir sua responsabilidade aplicando com fidelidade as normas morais e os anima um grande desejo de serviço ao bem comum. Merecem nossa admiração e estímulo especialmente os que se dedicam à criação de sadios entretenimentos familiares.



Recomendamos com insistência a estes comunicadores a unirem-se para a elaboração e aplicação de códigos éticos em matéria de comunicação social e de publicidade, inspirados no bem comum e orientados para o desenvolvimento integral do homem. Estes códigos se fazem especialmente necessários no contexto da televisão, que permite que as imagens entrem nos lares, ali onde as crianças se encontram muitas vezes sozinhas e sem vigilância. O autocontrole é sempre o melhor controle, assim como a autodisciplina, no seio dos próprios meios, é a primeira e mais desejável das linhas de defesa contra os que buscam proveito mediante a produção de programas pornográficos e violentos que envilecem os meios de comunicação e corrompem a própria sociedade.



Recomenda-se vivamente aos comunicadores para que, também através destes meios, façam conhecer as medidas necessárias que ponham um dique à maré de pornografia e de exaltação da violência na sociedade.



24. Pais. Convidam-se os pais para que multipliquem seus esforços em ordem a uma completa formação moral das crianças e dos jovens. Isso supõe uma educação em favor de uma sadia atitude frente à sexualidade humana, baseada no respeito à dignidade da pessoa como filha de Deus, na virtude da castidade e na prática da autodisciplina. Uma vida familiar equilibrada, na qual os pais sejam fiéis praticantes e totalmente entregues um ao outro e a seus filhos, constituirá a escola ideal de formação para os sadios valores morais.



As crianças e os jovens do nosso tempo necessitam da educação que lhes permita discernir os programas e amadurecer sua condição de usuários responsáveis da comunicação. O exemplo dos pais é determinante nesta matéria. A passividade ou auto-indulgência diante de certos programas será fonte de malentendidos prejudiciais para a juventude. Deve-se dar especial importância - para o bem dos jovens - ao exemplo dos pais no que concerne à autenticidade de seu amor e à ternura que saibam manifestar em sua vida matrimonial; assim como a sua disponibilidade a discutir com os filhos as questões de interesse, numa atmosfera amável e afetuosa. Convém não esquecer que, quando se está educando, "se obtém mais com uma explicação do que proibindo", (6)



25. Educadores. Os principais colaboradores dos pais, na formação moral dos jovens, são os educadores. As escolas e os programas educativos devem promover e inculcar os valores éticos e sociais, para garantir a unidade e o sadio desenvolvimento da família e da sociedade.



Os programas de maior valor serão, no contexto educativo, aqueles que formem os jovens para uma atitude crítica e para uma capacidade de discernimento no uso da televisão, do rádio e dos outros meios de comunicação social. Deste modo os jovens serão também capazes de resistir às manipulações e saberão lutar contra os hábitos meramente passivos na escuta e visão destes meios.



Deve-se sublinhar a importância de que as escolas saibam pôr em relevo o respeito à pessoa humana, o valor da vida famíliar e a importância da integridade moral pessoal.



26. Jovens. Os jovens contribuirão a pôr muros ao avanço da pornografia e da violência nos "media" se souberem responder, positivamente, às iniciativas de seus pais e educadores e assumirem suas responsabilidades, naquilo que reclama capacidade de decisão moral, assim como na escolha de suas diversões.



27. O público. O público em geral deve também fazer ouvir sua voz. Os cidadãos - incluídos os jovens - têm a tarefa de expressar individual e coletivamente seu ponto-de-vista diante dos produtores, interesses comerciais e autoridades civis. Torna-se urgente manter um diálogo continuado entre os comunicadores e os representantes do público, a fim de que os que atuam nas comunicações sociais estejam a par das exigências reais e dos interesses dos usuários.



28. Autoridade pública. Os legisladores, os encarregados da administração do Estado e da justiça são chamados a dar uma resposta ao problema da pornografia e da violência sádica difundidas pelos meios de comunicação. Devem-se promulgar leis sadias, devem-se clarificar as ambíguas e devem-se reforçar as leis que já existem.



Dadas as implicações que apresenta a produção e distribuição de material pornográfico, deve-se atuar a nível regional, continental e internacional para controlar com êxito este insidioso tráfico. Os que já tomaram iniciativas deste tipo merecem todo o nosso apoio e estímulo. (7)



As leis e os agentes da lei têm o dever sagrado de proteger o bem comum, especialmente o que concerne à juventude e aos membros mais vulneráveis da comunidade.



Já assinalamos alguns dos efeitos negativos da pornografia e da violência. Cabe tirar também a conclusão de que se questiona e ameaça o bem comum especialmente quando este material se produz, expõe e distribui sem restrições nem regulamentos.



A autoridade civil deve sentir-se obrigada a empreender uma rápida ação diante do problema, ali onde existe, e a emanar criteriosas medidas preventivas onde a questão comece a colocar-se ou onde ainda não tenha chegado a ser uma urgência angustiante.



29. Igreja e grupos religiosos. A primeira responsabilidade da Igreja consiste no ensinamento constante e claro da fé e, em consequência disso, da objetiva verdade moral, incluída a verdade referente à moral sexual. Numa época de permissividade e confusão moral, requer-se que a Igreja seja uma voz profética e muitas vezes um sinal de contradição.



A assim chamada "ética" da gratificação individual imediata se opõe fundamentalmente à realização plena e integral da pessoa humana. A educação para a vida familiar e a inserção responsável na vida social exigem a formação para a castidade e para a autodisciplina. A pornografia e a violência generalizada tendem a ofuscar a imagem divina em cada pessoa humana, debilitam o matrimônio e a vida familiar e trazem graves danos aos indivíduos e à sociedade.



Onde seja possível, a Igreja é chamada a colaborar com outras Igrejas cristãs, comunidades e grupos religiosos, a fim de ensinar e promover esta mensagem. Deve igualmente empenhar as suas instituições e pessoas em uma ação formativa sobre o uso dos meios da comunicação social e seu papel na vida individual e social. Neste campo os pais merecem uma assistência e atenção especiais.



Por estes motivos, a formação para a comunicação deveria fazer parte dos programas educativos nas escolas católicas e em outras iniciativas educativas da Igreja, bem como nos seminários, (8) nos programas de formação dos religiosos e institutos seculares, na formação permanente do clero e na catequese paroquial de jovens e adultos. Tanto os sacerdotes como os religiosos e religiosas que trabalham na pastoral e na educação deveriam começar eles mesmos por dar o exemplo de discernimento no uso dos "media" escritos e audiovisuais.



30. Por último, uma atitude de pura restrição ou de censura por parte da Igreja diante destes meios não resulta nem suficiente nem apropriada. A Igreja deve, pelo contrário, empenhar-se num diálogo contínuo com os comunicadores conscientes de suas responsabilidades. Deve animá-los e sustentá-los em sua missão ali onde seja possível e desejável. Os comunicadores católicos e suas organizações, com suas perspectivas e experiências próprias, são chamados a exercer um papel decisivo em tais conversações.



31. Avaliando conscientemente as produções e publicações, em função de critérios morais claros e substanciais, os críticos católicos e as organizações católicas de comunicação podem oferecer valiosa assistência aos profissionais da comunicação e às famílias. De fato, as orientações já existentes em documentos da Igreja sobre os "media", incluídas recentes tomadas de posição de numerosos bispos sobre a pornografia e a violência, devem ser tomadas em consideração e deveriam ser mais sistematicamente aplicadas.



32. O presente documento é endereçado às famílias que exprimiram largamente suas preocupações e aos pastores da Igreja, para convidar a uma reflexão, de caráter ético e prático, cada vez mais ampla sobre o problema da pornografia nos meios de comunicação, e para animar a todos a seguir a advertência de São Paulo: "Nao te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal pelo bem" (Rm 12, 21).



Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais.



Cidade do Vaticano, 7 de maio de 1989



JOHN P. FOLEY
Presidente



Mons. PIERFRANCO PASTORE
Secretário



NOTAS:



(1) Instrução pastoral Communio et Progressio, 22.



(2) Encíclica Sollicitudo rei socialis, 26.



(3) Inter mirifica, 2 a.