domingo, 24 de julho de 2016

Dilma, sobre o impeachment: ‘Quero acabar logo com essa agonia’.

O desabafo de Dilma Rousseff foi relatado pelo senador Renan Calheiros.(Foto: Adriano Machado/Reuters) 


Na terça-feira passada, Michel Temer ofereceu um jantar no Palácio do Jaburu aos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Rodrigo Maia. Não havia uma pauta específica. O objetivo do presidente interino era mostrar à imprensa uma situação de harmonia entre os chefes do Executivo e do Legislativo, para contrastar com o clima beligerante no governo da presidente afastada Dilma Rousseff. Tudo correu conforme o planejado, com uma revelação inesperada. Renan Calheiros disse a Temer que a petista jogou a toalha e admitiu não ter mais chances de impedir a aprovação do impeachment no Senado. Segundo o relato do senador, Dilma desabafou nos seguintes termos: “Quero acabar logo com essa agonia”. 



Calheiros é a expressão mais viva do que se pode chamar de “político de Brasília”. Isso significa que está sempre ao lado do poder. Há poucos meses, estava empenhado em desalojar Temer da poderosa presidência do PMDB e, se possível, deixá-lo distante da rampa do Palácio do Planalto. Foi um dos generais da batalha de Dilma para barrar o impeachment. Sendo um “político de Brasília”, Calheiros é um termômetro quase infalível para detectar a temperatura do poder. Se conversa em tom de confidência com Temer, por quem nunca nutriu grande simpatia, é sinal de que tem certeza de que Dilma não conseguirá recuperar o mandato. 



A percepção do senador, no entanto, não é propriamente um privilégio. É difícil encontrar em Brasília, mesmo dentro do PT, alguém que acredite na volta de Dilma ao Palácio do Planalto, ainda que as pesquisas de opinião mostrem que mais de 60% do eleitorado prefere a convocação de novas eleições. A questão central é que Michel Temer, em apenas dois meses de interinidade, conseguiu plantar um clima de estabilidade na política e na economia, que favorece sua permanência no poder. Pelas contas do senador Romero Jucá (PMDB-RR), demitido do Planejamento por conspirar contra a La­va-Jato, 61 dos 81 senadores votarão a favor do impeachment. Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, aposta que o número pode chegar a 63 senadores, incluindo Calheiros. 



É tamanha a confiança que Geddel Vieira Lima, o ministro encarregado de negociar com o Congresso, tirará nos próximos dias uma semana de férias. “A fatura está liquidada”, reza o mantra da hora no PMDB. Temer, por via das dúvidas, não descuida de usar a máquina pública para sacramentar sua vitória. De olho nas ruas, sancionou reajustes salariais para servidores públicos e anunciou a ampliação dos financiamentos da Caixa Econômica Federal para a compra de imóveis. Num aceno aos congressistas, vetou novos cortes no Orçamento da União e determinou que sejam no­mea­das imediatamente as pessoas indicadas por deputados e senadores de sua base de apoio para ocupar cargos públicos. Na quarta-feira, o ministro Geddel Vieira Lima recebeu Jovair Arantes (PTB-GO), relator da comissão do impeachment na Câmara, para sacramentar a distribuição de cargos federais em Goiás entre os parlamentares do estado. 

sábado, 23 de julho de 2016

O molusco "cara de pau".

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Mentiroso, ardiloso, falastrão, e agora, dizem, ladrão!!! E aí molusco?

Fuja de quem se vende como antipolítico.

Donald Trump é um equívoco da direita americana
Mentir é o primeiro atributo de um político. Qualquer político. As suas mentiras podem ser mais ou menos escandalosas, mais ou menos desculpáveis, mas lhe são incontornáveis. Mesmo os bem intencionados mentem. Por exemplo, quando dizem que fazem política para servir aos cidadãos em primeiro lugar. Na verdade, todos querem, acima de tudo, 
servir a si próprios, nem que seja apenas para alimentar a própria vaidade.

Isso significa que devemos nos resignar e aceitar as mentiras que nos são ditas? Claro que não. É justamente o contrário: pelo fato de todos os políticos mentirem, sempre devemos desconfiar deles. Os mais desconfiados devem ser os jornalistas. Eu, por exemplo, sei que até os políticos que me dão informações estão deixando de me dizer toda a verdade sobre o assunto em questão. Omissão, nesse caso, é uma forma de mentir. Se omitem o secundário, mas revelam o principal, faço cara de paisagem e sigo adiante. O problema é quando passam por principal aquilo que é acessório. Esse é um problema que os repórteres enfrentam todos os dias. Não raro, ainda que tomadas as precauções devidas, só percebemos que publicamos o secundário como notícia principal depois que outro jornalista mais esperto, ou com outra fonte (ou ambas as coisas), estampa o nosso erro na sua reportagem.

Decidi abordar a mentira dos políticos para falar de Donald Trump e concluir com o caso brasileiro. Donald Trump se vende como antipolítico aos eleitores americanos -- ou seja, como alguém que veio instaurar a verdade, toda a verdade, nada além do que a verdade na política. Que veio “purificá-la”. No entanto, o seu primeiro atributo é o mesmo de todos aqueles que afirma combater. Donald Trump mente para burro, com o perdão do trocadilho voluntário.
O Washington Post fez um fact-checking do discurso de aceitação de Donald Trump como candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos. O jornal comprovou com dados objetivos que ele mentiu em 25 pontos do seu discurso. Vinte e cinco, se você prefere por extenso. Mentiu sobre segurança. Mentiu sobre imigração. Mentiu sobre economia. Mentiu, mentiu e mentiu. E vai continuar mentindo na hipótese improvável de derrotar a mentirosa Hillary Clinton.
Donald Trump é a prova mais vistosa de que uma das grandes mentiras da política é o fanfarrão que se apresenta como antipolítico. É assim, pelo menos, desde Savonarola, na Florença do século XV. Seja ele de direita ou de esquerda, o seu messianismo é sempre uma fajutagem. Com Lula, os brasileiros caíram pela esquerda na esparrela do antipolítico. Lula piorou os vícios brasilienses que prometia banir.
Desconfiar dos políticos é, mais do que saudável, necessário. Mas evitar os que se dizem antipolíticos é essencial. Fuja deles.
* Texto de Mario Sabino

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Ministério Público Federal denuncia Lula de novo.


STF nunca prende políticos que estão debaixo de suas togas.


Sera uma vergonha muito grande para o Senado uma lei como essa passar e ser aprovada, por insistência de um criminoso que esta impune desde o Mensalão, depois no Petrolão, BNDES e outros. Não e possível uma coisa dessas! Sera a desmoralização total do Congresso e o Presidente Michel Temer terá que chamar as FFAA para a intervenção, em todas as instituições porque tudo estará perdido. Não adianta derrubar Dilma e nem o esforço que todos fizemos para o seu impeachment.  
Com essa tal PL 280/16 esse bandido pretende retirar toda a autoridade do Juiz Dr. Sergio Moro, minando a Operacão Lava-Jato porque ele não quer que nenhum dos ladroes da Petrobras, os comandados de Lula sejam punidos, porque ele também sera caçado como um rato pois e um dos piores e que esta ha mais tempo impune. 
Ate agora, ele conseguiu se desvencilhar. Nos deixaremos ele continuar com esse abuso de autoridade?  Não basta de canalhices dele, de Lula, de Paulo Bernardo, de Palocci, de Dilma, de Romero Juca, de Lindberg, de Gleise Hoffman, de Vanessa Graziottin, de Humberto Costa e de milhares de outros ladroes que continuam por ai fazendo o que querem porque o STF nunca prende políticos que estão debaixo de suas togas? Dinheiro e poder para essa gente, meus amigos mesmo que seja dinheiro de propina e do sangue dos brasileiros, da sua morte por infecção hospitalar, da sua morte pela violência de drogados, por assaltos, por acidentes, pela fome e falta de remédios pela falta de moradias, de emprego, pelos roubos de nossas esperanças de um pais justo e acolhedor.

domingo, 17 de julho de 2016

Sem reformas, nem o papa salva o Brasil.

Para o ex-diretor do BC Luiz Fernando Figueiredo, país voltou para o caminho certo, mas não pode relaxar.
SÃO PAULO – Se há algo que não se discute em relação ao governo de Michel Temer, é a qualidade da nova equipe econômica. Mas não adianta nada escalar um time de craques se a política embolar o meio de campo. “O governo pode contar até com o papa na equipe: se não aprovar o que precisa no Congresso, nada será resolvido”, afirma Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de política monetária do BC e fundador da Mauá Capital, que gerencia uma carteira de investimentos de R$ 2 bilhões.
Em entrevista a O Financista, Figueiredo afirma que o Brasil superou o cenário binário do início do ano — Dilma ou Temer — e voltou ao caminho correto. Agora, o debate é em torno das medidas necessárias. Mais: o cenário global de juros baixos ou negativos vai aumentar o apetite dos investidores por ativos mais arriscados – como o Brasil. Mas o país pagará um preço por esse sucesso. “Teremos, sim, um câmbio mais apreciado no curto prazo, quer desejemos, quer não.”
Leia a seguir os principais trechos da conversa:
O Financista: Com o afastamento de Dilma e a presença de Temer na Presidência, ainda que interinamente, já superamos o cenário binário?
Luiz Fernando Figueiredo: Há um baixo risco de acontecer um acidente que acarretaria um sinistro muito grande. Então, acho que sim. Já saímos do cenário binário. Estamos diante de um governo com uma base grande no Congresso. Um governo que trouxe uma racionalidade muito grande, não só na macroeconomia, mas também na microeconomia. É praticamente uma faxina em tudo o que se fez de errado nos últimos anos. Com isso, estamos saindo de um ciclo vicioso muito dramático e entrando em um virtuoso. Mas como ficamos muito tempo no buraco, vai demorar um pouco para sair. E temos outra questão: antes da aprovação definitiva do impeachment no Senado, o governo não consegue produzir tudo o que pode.
O Financista: O mercado critica muito as idas e vindas de Temer. Isso é efeito da interinidade ou a tônica do seu governo?
Figueiredo: A interinidade é chata, porque gera uma certa fragilidade do governo, mas tenho bastante confiança de que é transitória. O governo tem um mês e pouco. Os agentes entendem que dá para esperar outro tanto, até o impeachment. Porque, se a Dilma voltar, vai desarranjar muita coisa. Então, o pessoal prefere esperar um pouco para entrar completamente no barco. Mas eu tenho poucas dúvidas de que o impeachment vai acontecer. O governo, que tem uma base muito expressiva, sabe que essa questão precisa ser superada para consolidar todo seu poder de fogo e avançar em questões mais espinhosas. Falamos muito da reforma da Previdência, mas ela só irá para o Congresso depois disso. A própria questão trabalhista, que hoje é um problema enorme para o Brasil...
O Financista: Qual é o timing para que Temer comece a apresentar resultados concretos, após o impeachment?
Figueiredo: Isso será um processo: mandar a reforma do teto de gastos, começar a tramitação pelas comissões, ir a plenário. O problema é que estamos partindo da estaca zero. Não há uma inércia a nosso favor. As coisas precisam começar a andar, porque são todas relevantes, mas há outras questões pelo caminho: Olimpíada, eleições municipais... Tudo isso atrasa a agenda. Então, estamos assim: temos um carro muito bom, mas andando em uma estrada de terra com buracos. Ainda não chegamos ao asfalto. O que todos estão vendo são coisas muito boas. A discussão agora é de velocidade.
O Financista: O novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já disse que é contra aumentar impostos. Quão importante é esse aumento para o ajuste fiscal?
Figueiredo: O aumento de impostos não é apenas necessário, mas inevitável. É preciso ver qual imposto será menos danoso, mas terá de ser feito. O buraco fiscal é muito grande. As reformas estruturais garantirão que a economia avance. Mas a velocidade e o ponto de largada em que estamos são muito ruins. Então, mesmo que temporariamente, é necessário aumentar impostos. Só para se ter uma ideia, nos últimos dois anos, perdemos mais de 2 pontos percentuais de arrecadação sobre o PIB. Não é pouco. É claro que uma parte da recomposição de receitas virá do fato de a economia sair da recessão, mas é preciso fazer uma ponte. Eu não acho que, se for completamente necessário o aumento, Maia vai se opor. Até porque o presidente da Câmara não tem tanto poder para dizer o que os deputados vão votar. Ele não pode impor a própria agenda. E ninguém está fazendo isso porque quer: é porque não tem jeito.
O Financista: O governo terá, efetivamente, força para aprovar a reforma da Previdência?
Figueiredo: Acho que sim, porque a força do governo é crescente. É um governo que começou provisório, num ambiente péssimo. Neste início, já conseguiu aprovar várias coisas para estabilizar a economia. Você já vê todos os índices de confiança melhorando, sinais de que estamos saindo do processo recessivo. É possível que, na margem, a economia já cresça no fim deste ano ou começo de 2017. Estamos em um ambiente menos volátil e mais racional. O governo vai gradualmente se firmando. Os nomes da área econômica são de primeiríssima qualidade. Então, a base vai se consolidando.
O Financista: Com Meirelles na Fazenda e Ilan no BC, você vê juros mais baixos no longo prazo?
Figueiredo: Eu disse que o time é de primeiríssima categoria, mas há limites. O governo pode contar até com o papa na equipe: se não aprovar o que precisa no Congresso, nada será resolvido. A equipe econômica é uma parte importante do processo, mas o condão mágico é a aprovação dessa agenda de reformas.
O Financista: Como você avalia a gestão do câmbio, nestes primeiros dias da nova diretoria do BC? Os empresários, por exemplo, já reclamam que o dólar caiu muito.
Figueiredo: O câmbio nunca é causa de nada. Ele é consequência. Como a situação econômica piorou muito nos últimos anos, o Brasil teve de manter juros altíssimos, num cenário externo em que as taxas são nulas ou negativas. Quase 50% dos ativos em todo o mundo pagam juros negativos, o que é uma coisa maluca, mas é a realidade. Então, quando se tem um país com uma solidez externa muito grande, como o Brasil, e que passou a andar na direção correta mas com juros altos, é natural que venha um grande volume de recursos para cá. E é natural que a taxa de câmbio aprecie, mesmo que temporariamente. O que o BC está fazendo? Diariamente, recomprando os swaps. E o dólar tem apreciado. Então, você não consegue atuar numa velocidade que impeça uma apreciação relevante do real, porque há medidas que precisam ser aprovadas para permitir baixar os juros. Esse processo é muito longo. O nosso sucesso vai trazer, sim, uma taxa de câmbio mais apreciada no curto prazo, quer desejemos, quer não.
O Financista: O dólar pode chegar a que valor?
Figueiredo: Pode ser R$ 3,00, eventualmente abaixo disso.
*Por Márcio Juliboni, via O Antagonista

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Mais um feito da gestão petista de Haddad: a cracolândia voltou a crescer.

(Imagem: TV Globo.)
Parece cenário apocalíptico de filme, mas é a São Paulo de Fernando Haddad e do PT.
O fracasso retumbante do “prefeitão” Fernando Haddad no combate ao crack é dos mais retumbantes. Poucos políticos podem dizer que fizeram tudo de forma tão errada. São recordes atrás de recordes. Vamos a um breve histórico:
1 – Lança a ideia estapafúrdia de dar dinheiro para os viciados, apostando que, com isso, eles não comprariam mais crack (claro que não, todos sabemos que um viciado na referida droga trata de comprar livros assim que coloca as mãos em algum dinheiro) – mas, sim, a grana ia toda para os traficantes;
2 – No dia do primeiro pagamento, o preço do crack INFLACIONOU, de tanto que aumentou a procura;
3 – Diante do fracasso, entra em curso uma espécie de “descentralização da cracolândia” e várias delas surgem em diversos cantos da cidade, com uma singela diminuição no número de usuários na região central clássica.
Mas agora, como mostrou o telejornal da TV Globo, a cracolândia central VOLTOU A CRESCER e já toma várias outras vias além da Rua Helvetia.
São Paulo precisa se livrar de uma vez por todas disso. Será preciso muitos e muitos anos para reverter os estragos de Fernando Haddad em São Paulo, a exemplo daqueles de Dilma Rousseff no país.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Se quer caixa de verdade, Temer deve privatizar Eletrobras e Petrobras.

Claudio Fritschak, um dos maiores especialistas em infraestrutura do país, diz que é hora de discutir o assunto.

Esqueça as rodovias e os aeroportos. Se o governo quiser dinheiro grosso para resolver seu problema de caixa, é hora de privatizar os elefantes brancos que atazanam as contas públicas e a vida dos brasileiros: Eletrobras e Correios. Além disso, por que não discutir a venda da própria Petrobras? A avaliação é de Claudio Fritschak, um dos maiores especialistas em infraestrutura do país.
Numa conta rápida, somente o pré-sal poderia render uns US$ 20 bilhões para o governo. Só a Eletrobras aportaria mais US$ 15 bilhões – com o benefício extra de se livrar de um cabide de empregos loteado por políticos de todas as colorações partidárias. Economista e fundador da consultoria Inter.B, Fritschak afirma que não faltam interessados no Brasil. O que falta mesmo é pôr a mão na massa.
Veja os principais trechos da entrevista a O Financista:
O Financista: O governo tem pressa com as concessões porque precisa de dinheiro. Quais são as áreas mais fáceis e rentáveis para licitar?
Claudio Fritschak: Se quiser começar pelo mais fácil, primeiro são os aeroportos. Uma coisa boa é que o governo já tirou a Infraero do processo. Um aeroporto é composto por três negócios: uma operação logística, um grande shopping center e as operações imobiliárias do entorno, como hotéis e estacionamentos. Então, é muito atraente, porque gera muito dinheiro para os investidores.
O Financista: E as rodovias?
Fritschak: Há várias categorias de rodovias. A primeira são as que podem estender o contrato de concessão por meio de aditivos, em troca de investimentos. Mas é preciso ter regras claras para isso. Não pode fazer, por exemplo, o que se fez na ponte Rio-Niterói. Outro grupo são as rodovias que precisam de investimentos muito pesados, como a chamada “Rodovia do Frango”. Neste caso, o governo deve esquecer essa ideia de determinar uma taxa máxima de retorno.
O Financista: Quanto esses ativos podem render para o caixa do governo?
Fritschak: Se o governo quer caixa mesmo, é preciso privatizar. Não só concessões, mas venda de ativos mesmo. Temos o pré-sal. Monetizar parte dele faz todo o sentido. Precisamos ir além do Campo de Libra. Com o petróleo na faixa de US$ 50 por barril, e fazendo um bom projeto, em uma estimativa bem preliminar, o governo pode conseguir entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões. Outra é a Eletrobras. Não tem sentido manter uma estrutura como aquela. É claro que depende da modelagem, mas pode render uns US$ 15 bilhões. Os Correios são outro. É incompreensível esse monopólio, que só serve para interesses políticos. E a Petrobras. Por que não discutir isso? Enfim, dá para dizer que existem ativos da ordem de dezenas de bilhões de dólares que podem ser vendidos.
O Financista: Como tornar tudo isso, efetivamente, interessante para os investidores?
Fritschak: Há alguns pressupostos. Primeiro, a confirmação do impeachment de Dilma. Segundo, que Temer vá, mesmo, até 2018. Terceiro, a sensação de uma certa normalidade econômica. Com isso, os ativos brasileiros começarão a se valorizar. Mas um processo de privatização bem feito pode gerar boas receitas. Não faltam recursos lá fora. Mas é preciso desaparelhar as agências reguladoras e respeitá-las. Definir um plano estratégico de infraestrutura, e não apenas leiloar projetos isolados, que não fazem sentido para o investidor. Oferecer os projetos básicos e deixar que as empresas compitam pelo melhor projeto executivo. E criar uma agenda de PPPs, que são fundamentais para áreas como saneamento e mobilidade urbana. Para essas PPPs, é preciso um fundo garantidor, cujos recursos poderiam vir das privatizações.
O Financista: Mas há, mesmo, interesse dos estrangeiros pelo Brasil?

Fritschak: Muito. Não são apenas as empresas de private equity. Há também os fundos de pensão estrangeiros e as seguradoras. Os dois têm o mesmo problema: o equilíbrio atuarial. Por isso, precisam de investimentos de longo prazo. Há os fundos soberanos; alguns são muito grandes. E temos a China. Eles já estão aí no setor elétrico, por exemplo. E os chineses têm uma mentalidade de melhorar as operações. Não é apenas comprar, mas desenvolver. Isso não seria bom para todo mundo? Os consumidores teriam um serviço melhor. O país teria uma infraestrutura melhor.
*Texto por Márcio Juliboni