sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A miséria que o socialismo trouxe à Venezuela.

Una fila de personas espera el 23 de octubre del 2014 a las afueras de una farmacia Farmatodo en Caracas con la esperanza de poder comprar pañales desechables.

Fila à espera de poder comprar fraldas descartáveis e papel higiênico numa farmácia de Caracas em fins de outubro último. Tais artigos, e muitos outros, ainda não chegaram às prateleiras.
 A         PO aumento dos preços dos derivados do petróleo na Venezuela (pela retirada dos subsídios estatais) somado à queda intensa do valor da ‘commodity’ no mercado internacional – em parte devido aos enormes estoques nos EUA e Europa e em parte devido à entrada no mercado do gás de xisto betuminoso americano - está levando o regime ditatorial socialista de Nicolás Maduro a tomar duras decisões que incluem, justamente, a retirada do referido subsídio à gasolina. Na verdade, há uma conjunção de fatores que estão a fazer com que o Palácio Miraflores fique sem dinheiro para importar uma série de itens que o país não produz e isso coloca o governo contra o paredão de ter que escolher quem poderá ter o “privilégio” de “continuar recebendo as migalhas de um pão que a cada dia se torna menor”, como estão a dizer alguns especialistas.
Na base do problema está a capacidade de extração da PDVSA, a Petrobrás deles lá, que está em queda livre com seu parque industrial cada vez mais sucateado e comprometido pela falta de investimento em manutenção e pela fuga de mão de obra capacitada do país (como soe ocorrer com os regimes socialistas).
Com isso, o “socialismo bolivariano do século XXI” tem cada vez menos o que repartir e distribuir com o seu povo, o que o obriga a tomar medidas que podem se tornar muito impopulares.
Além do aumento da gasolina, que poderá começar a vigorar a partir de dezembro próximo – segundo os especialistas desse mercado – Maduro terá que usar boa parte do dinheiro que puder conseguir com os novos preços dos combustíveis para tentar contratar os serviços de empresas estrangeiras para tentar soerguer a capacidade instalada da PDVSA com a finalidade de aumentar a extração de petróleo e até construir pelo menos mais duas refinarias.
Os especialistas no setor dizem que “o aumento de preço dos combustíveis é um fato já consumado, e que provavelmente ocorrerá após a reunião da OPEP em Viena, prevista para o dia 27 deste mês de novembro”.
Maduro, que governa com uma estrutura de estado ditatorial mediante “poderes especiais” a ele outorgados pelo Congresso, já amarga uma popularidade que não chega a 30 por cento, mesmo tendo prometido ao venezuelano que não elevaria os preços dos derivados do petróleo, apesar da insistência do pragmatismo chavezista de que o subsídio estatal à mercadoria, com um custo anual de $12 bilhões de dólares – que o regime definitivamente não tem capacidade de arcar – é insustentável.
No entanto, Maduro, durante o “Primeiro Congresso da Classe Trabalhadora”, cujos participantes foram apenas os membros da reduzida burguesia do politiburo do partido governante, acabou concordando ao anunciar na última segunda feira ter aceitado uma proposta feita neste “congresso” para ajustar os preços dos combustíveis “e usar a renda deles provenientes para projetos sociais”, algo que pouca gente realmente ainda acredita na Venezuela.
A renda proveniente do petróleo – praticamente a única produzida significativamente no país – já caiu mais de 30 por cento, apenas no mês passado.
Além do mais, discute-se no país que além da alta de preços dos derivados de petróleo, poderá se soma ruma elevação geral dos impostos, que se levado adiante pelo regime de Maduro poderá agravar ainda mais os protestos de rua e a insatisfação social com o regime.
Assim, o regime, responsável pela fuga de capitais privados venezuelanos e de mão de obra qualificada, acabou ficando sem dinheiro, sem tecnologia e sem condições de sequer fazer a manutenção de sua “galinha dos ovos de ouro” – a PDVSA – que agora está entre a cruz e a caldeirinha.
Maduro chegou ao poder, segundo muitos venezuelanos, através de uma formidável fraude eleitoral, possibilitada em parte pelas famigeradas urnas eletrônicas fabricadas pela DIEBOLD e comercializadas pela SMARTMATIC, as mesmas utilizadas no Brasil e países do Foro de São Paulo, e em outra parte pela coação de boca de urna, levada a efeito por verdadeiro exército de agentes cubanos – incluindo os “médicos” castristas –, mas que, ao que parece, só sairá do poder depois de muito sangue, suor e lágrimas derramadas para substituir o atual regime.
Em todo caso, no regime de escassez socialista, onde o governo não pode mais contar com o dinheiro de um povo altamente empobrecido e onde os donos do dinheiro já tiraram seus times de campo (e também seu dinheiro), Maduro terá que escolher muito bem a quem privilegiará com os parcos recursos que ainda dispõe para que possa se manter no poder.
Essa foi a razão pela qual Maduro há pouco decidiu aumentar os salários dos militares em 45 por cento para tentar compensar o efeito da taxa de inflação que poderá ultrapassar os 75 por cento este ano, enquanto que o  salário mínimo só foi corrigido em 15 por cento.
Também pode ser esse o raciocínio que venha a motivar Maduro em eliminar o subsídio à gasolina e aos derivados de petróleo, que deverá atingir em cheio os bolsos da classe média, os últimos 35 por cento da população que, a despeito de tudo, ainda trabalha e produz para sustentar os demais 65% por cento. No entanto, o subsídio aos derivados de petróleo que são enviados mensalmente a Cuba não serão eliminados, haja vista que Maduro necessita basicamente do aparato cubano de inteligência militar para se manter a qualquer custo no poder.
Mas, a situação do regime “bolivariano” poderá se complicar muito mais ainda caso os preços do petróleo continuarem a cair ou apenas se mantiverem abaixo dos atuais 60 dólares o barril ao longo de 2015, como muitos especialistas dizem que irá ocorrer, principalmente com o aumento da produção de gás de xisto nos EUA, principal comprador de petróleo da Venezuela. As encomendas americanas vêm despencando de forma sensível e esses mesmos analistas especializados em comércio internacional de petróleo dizem também que “se a redução da renda venezuelana com petróleo continuar baixa ou diminuir mais ainda, o Palácio Miraflores terá que escolher entre quais os setores do chavezismo irá privilegiar ainda mais – uma vez que seus próceres estão acumulando enormes fortunas no exterior pelo mecanismo distorcido criado pelo sistema de controle cambial que funciona em prejuízo da população”.
Maduro espera que a OPEP reduza a extração de petróleo para diminuir a oferta e fazer subir os preços da mercadoria nos mercados internacionais. Mas os americanos também esperam por tal iniciativa por parte do cartel internacional do petróleo, quando poderão suprir fornecedores mundiais com sua acrescente produção de gás de xisto betuminoso, que atualmente ainda está em torno de 15% da capacidade esperada pelo mercado, apesar de já ser responsável por 65% da produção total de gás natural dos EUA.
Por isso, muitos especialistas dizem que é pouco provável que a OPEP venha de qualquer modo a restringir a oferta. “Dentre os países-membros do cartel, somente a Arábia Saudita está em condições de cortar a produção”, em função dos problemas orçamentários que enfrentam e, mesmo a Arábia Saudita tem dado a entender que lhe interessa manter os preços baixos porque sabe que essa é a única maneira de desestimular a produção de petróleo de jazidas ‘não convencionais’ – como, por exemplo, o do pré-sal brasileiro – que, em tese, representa uma ameaça à hegemonia saudita no mercado mundial.
Os analistas preveem que um preço do petróleo abaixo de 80 dólares o barril, mantido por algum tempo, poderá gerar problemas que levem à desestabilização do regime de Maduro. E este preço já está há algum tempo em 70,83 dólares o barril e tendendo a diminuir.
Há quem ache, com alguma razão, que em breve Maduro só disporá de petróleo para alimentar o seu povo... Só não se sabe com que tipo de culinária poderá conseguir isso!
* FRANCISCO VIANNA (da mídia internacional)

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